Naquele dia, precisamente vinte e sete de novembro, aniversário do meu eterno cunhado, Bertinho Monteiro, que me ensinou a torcer pelo Palmeiras e pelo Noroeste, num zero a zero com a Portuguesa Santista, Bauru não foi a mesma! Tuga levantou-se e olhou pela janela e não viu buraco algum, por isso brindou com a primeira-dama Shalimar, nosso amor é sem limites! João Jabbour recolheu às mãos o verdadeiro Jornal da Cidade e olhou a escalação do seu Norusca, achou que o rio era claro, mas que a onda é vermelha e branca!
Luiz Vitor Martinello releu “o sapato que não sabia andar” e pensou em criar “as chuteiras que sabiam ganhar”; Vitão Martinello, no céu, gritava: Noruscaaaa! Gilberto “pé-na-cova” Fernandes acordou pensando que assim, como no amor, o futebol tem química! Haja oxigênio para ser noroestino! José Roberto Pavanello passou pelo Hospital de Base e constatou o óbvio: seu sangue era mais rubro do que nunca! O sorveteiro que paira em frente ao Sesc, todos os domingos, só queria vender picolé de groselha: o mundo é vermelho!
Marcão, em seu banana split, vendia quatro espetos a dois e pensava: quero estar sempre no vermelho! Claudinho “Peba” queijeiro pensava, com seu filho Alexandre, em mudar a camisa do Redentor para vermelha! José Esmeraldi, o homem do novo hino do Esporte Clube Noroeste, só queria andar de locomotiva e apitar e parafrasear o “café com pão” de Manuel Bandeira! Toninho Gimenez oferecia a todos os clientes painéis e placas com o fundo vermelho e branco, afinal, “quem não é visto, não é lembrado”! Vicenzo e seu Mário, da Padaria Apetitti, pensavam na multiplicação dos pães em gols de Felipe, Buiú e Otacílio Neto!
Cláudio Amantini gritou campeão mais uma vez e disse: estou em estado de choque, o estado sou eu! De comendador a imperador rapidamente! José Carlos Marques pensou em acender um cachimbo, vermelho, é claro, mas preferiu uma picanha com a família, vermelha, também! Marcão, o do som, do CD do Shopping, só queria vender o hino do Norusca a todos os clientes!
Vitor e William Jacob, diante do título, gritaram: viche! Eduardo Mauad pintou sua nova Live em vermelho Norusca e preto Timão! Chico Dias, mais uma vez, chamou sua Marta de maquininha e pediu-lhe ser sua eterna dama de vermelho. Jorge Eduardo Campos, Múcio, Wellington, Rogério e Alexandre se denominaram, para sempre, a grande família do Norusca, é claro! Celso Zinsly, que um dia fingiu não acreditar no título, achava que Gália é bom, mas o paraíso é aqui! Leonardo “Léo” de Brito dizia que o título foi “em confiança”, parecia até o Santa Cruz!
E Damião Garcia, escondido, preparava-se para adentrar chaminés, uma roupa vermelha, com o distintivo noroestino acima do coração, um saco, enorme, bem enorme para agüentar o descaso do empresariado bauruense e o olhar meio luzinha de Natal, pisca e não falha, não falha mesmo! Obrigado, Damião Noel, depois de velho, botei meu tênis, vermelho e branco, na janela do quintal e gritei: Campeão! O Natal tá aí, seu Damião! Não se esqueça do meu Norusca! Obrigado! (Sinuhe Daniel Preto - professor - RG 10.981.715-1)