Saúde

38 milhões acima do peso

Agência Saúde
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Com a presença cada vez maior de produtos industrializados – ricos em sal, açúcar e gorduras – na dieta da população, o País registra nos últimos anos o crescimento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade. Pessoas com excesso de peso põem em risco sua qualidade de vida e podem desenvolver sérios problemas de saúde. Para incentivar a população a adotar hábitos saudáveis, entre os quais a prevenção ao sobrepeso e à obesidade, doença que atinge cerca de 40% dos brasileiros, o Ministério da Saúde desenvolve a campanha Pratique Saúde.

A obesidade foi tema de campanha na mídia no mês de novembro e teve como tema “Excesso de peso sobrecarrega seu coração”. Apesar do fim da veiculação na mídia, as ações do Ministério da Saúde para prevenção desse tipo de problema são contínuas. O Pratique Saúde, lançado em outubro, tem objetivo de chamar atenção para cuidados contra doenças como infarto, derrame cerebral, cânceres, hipertensão e diabetes, responsáveis por cerca de 40% das mortes no País, segundo o Ministério da Saúde. Estudos comprovam que a adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação balanceada, não fumar e praticar atividades físicas freqüentemente podem evitar essas doenças.

A campanha Pratique Saúde já teve como tema hipertensão arterial, diabetes, obesidade e prevenção ao tabagismo. O Pratique Saúde abordará ainda temas como aids e alcoolismo. A série de peças publicitárias (veiculada em rádios, TVs, cartazes e anúncios de revistas) traz como personagem um coração falante.

Prevenção

No Brasil, cerca de 38 milhões de brasileiros com mais de 20 anos vivem acima do peso. Desse total, mais de 10 milhões são considerados obesos, de acordo com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O Guia Alimentar, lançado na Semana Mundial da Alimentação, em outubro, é uma das ações do Ministério da Saúde que aborda a questão alimentar e nutricional como prioridade para a saúde pública brasileira. É a primeira vez que o governo editou um material com informações, dados, avaliações, curiosidades e alertas sobre a alimentação da população brasileira. O livro traz dicas de como melhorar o aproveitamento dos alimentos no cardápio. A publicação reforça e dá orientações sobre uma alimentação saudável, estimulando o consumo de frutas, verduras, legumes, feijões, raízes, tubérculos e cereais, preferencialmente os integrais.

Um cardápio com mais frutas, legumes e verduras e menos produtos industrializados já ajuda muito na prevenção de problemas de saúde como a obesidade e a hipertensão. O livro mostra alguns números preocupantes, como a queda de 31% no consumo de feijão, de 23% no de arroz e de 12 % no de pão. O perfil demográfico do Brasil mudou e, com ele, as escolhas da população na hora de comer.

Desde os anos 70 o regime alimentar tradicional do brasileiro vem sendo substituído por refeições que não atendem adequadamente às necessidades nutricionais do corpo. O consumo de refrigerantes, por exemplo, aumentou em 400%. As refeições prontas e misturas industrializadas tiveram crescimento no consumo em 82%.

Anelise Rízzolo de Oliveira Pinheiro, consultora técnica da Coordenação Geral de Políticas de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, explica que alguns fatores como a globalização e urbanização social foram responsáveis pelo agravamento da incidência da obesidade. “Antigamente, os homens viviam em lugares distantes e saiam à caça de alimentos. Eles tinham um modelo de vida que envolvia atividades físicas e hábitos alimentares mais saudáveis”, destaca a consultora. “Estamos na era do fast food, em que se comem muito mais calorias, em volumes pequenos, para adequar-se à ‘falta’ de tempo da vida moderna”, observa.

Segundo Anelise, a cor, o sabor, o prazer, a variedade e a harmonia de um prato são atributos essenciais de uma boa alimentação. Segundo ela, uma dieta deve reunir diferentes grupos de alimentos, para serem ingeridos de forma “variada e harmoniosa”. A consultora ressalta que quantidade, qualidade e gostos alimentares precisam ser observados para uma boa saúde. “Deve-se, porém, evitar excesso de gordura, açúcar e sal”, alerta. “Essas medidas, que precisam ser adotadas no dia a dia das pessoas, são suficientes para evitar as doenças não transmissíveis. Contudo, para que as escolhas individuais possam ser feitas, são necessárias políticas públicas que beneficiem o coletivo. O Ministério da Saúde quer apoiar esse tipo de política, para promover a saúde da população”, diz.

Praticar esportes é outra atividade fundamental para manter o corpo em forma e evitar a obesidade. Os médicos indicam cerca de 30 minutos de caminhada por dia como uma boa opção de exercício físico. Antes de começar a prática de qualquer esporte, recomenda-se que a pessoa procure um profissional de saúde, para saber a intensidade e freqüência que pode fazer de exercícios.

Ações públicas

A Política Nacional de Alimentação e Nutrição, desenvolvida pelo Ministério da Saúde, é um importante instrumento para apoiar ações de promoção da alimentação saudável e também trabalha para a prevenção e o controle das principais carências nutricionais – como a falta de vitamina A e de ferro, considerados micronutrientes fundamentais para o desenvolvimento infantil.

Nessa linha de atuação, o ministério lançará em 2006 o Programa Nacional de Suplementação de Ferro. Além de ações de educação nutricional, realizará a distribuição de sulfato ferroso, em forma de xarope e comprimidos, para crianças, gestantes e mulheres no pós-parto, de todos os municípios do País. O objetivo do programa será prevenir a anemia ferropriva, que atinge 50% dessa população e ameaça o desenvolvimento físico e, principalmente, a capacidade de aprendizado.

O Ministério da Saúde atua ainda na elaboração de um manual com recomendações para melhorar a qualidade da alimentação nas cantinas das escolas públicas e privadas. A idéia é evitar o desenvolvimento precoce de obesidade e outras doenças. “De acordo com estudos, o aumento de peso no grupo das crianças eleva o risco de obesidade na fase adulta”, explica Anelise Rízzolo.

Um alerta que as autoridades em saúde fazem à população é que as pessoas não devem recorrer à auto-medicação e devem evitar os chamados tratamentos “milagrosos”. Além de não resolver o problema, produtos utilizados de forma indevida, como moderadores de apetite, podem representar sérios riscos à saúde.

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