Bairros

Sofrimento une carentes, diz sociólogo

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

Por fazerem parte da camada de renda baixa da sociedade, as pessoas pobres estão mais vulneráveis ao problemas, inclusive os relacionados aos fenômenos naturais, pois habitam regiões precárias, correndo riscos de perderem seus barracos e até mesmo a própria vida. “Uma vez atingidas pelas intempéries, são as que têm maiores dificuldades de superar a situação”, explica o sociólogo e professor do Departamento de Ciências Humanas da Unesp, Murilo César Soares.

Em razão do baixo poder aquisitivo, recuperar, em pouco tempo, tudo aquilo que foi perdido é uma tarefa praticamente impossível. São móveis indispensáveis como camas, fogões e, em alguns casos, geladeiras. “A cada vez que são envolvidas, esse ciclo pode significar uma piora no padrão de vida delas”, argumenta Soares.

Dessa forma, como grande parte vive praticamente a mesma realidade, a união do grupo fica ainda mais fortalecida. “O sofrimento coletivo aumenta a coesão do grupo. O povo sabe que precisa confiar na sua união para enfrentar emergências”, explica o professor ao lembrar que existe um espírito de reciprocidade entre os carentes, pois muitos ajudam sabendo que podem precisar de socorro no futuro. Além disso, como não encontram alternativas para solucionar os seus problemas individualmente, recorrem ao apoio das comunidades onde vivem.

Grande parte dos moradores ouvidos pela reportagem do JC nos Bairros demonstra ter fé em Deus e acredita que através da devoção conseguirão melhorar de vida. Para Soares, isso ocorre porque, além da sociedade brasileira ser bastante religiosa, ela costuma buscar conforto na devoção, especialmente nas horas mais difíceis.

O sociólogo ainda sugere o incentivo às associações dos moradores de bairros como uma alternativa para minimizar os problemas deste povo, facilitando o acesso à informação e melhorando a comunicação com as autoridades locais. “Seria importante estimular o surgimento de lideranças locais porque elas, provavelmente, teriam mais chances de serem ouvidas”, finaliza.

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