Tribuna do Leitor

IPTU, não me deixe sem tutu


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Nos idos 1960, para localizar o terreno em razão do qual eu já pagava o IPTU, tive que pagar para a prefeitura demarcar o mesmo.

Às minhas custas, aplainei o mesmo, retirando todo o entulho nele depositado. Mandei fazer a planta e, ao dar entrada na prefeitura, tive que pagar de novo. Com muito sacrifício e com muita economia, logrei concluir a não pequena mas bem modesta moradia, e, ao solicitar o habite-se, a prefeitura tornou a cobrar de novo. Ao passar a rede de água, tive que pagar pelo citado melhoramento. Face à rua ser completamente acidentada, às minhas custas aplainei a frente onde mandei fazer a calçada, num declível máximo de 3% em respeito ao que determina o Ministério da Saúde e aos honrados transeuntes que nunca levaram um tombo, conforme constantemente ocorre defronte aos senhorios que constroem suas calçadas com declível de 30 ou mais por cento com a beneplácida e vergonhosa autorização da prefeitura.

Durante todo esse tempo, sempre paguei pontualmente o famigerado IPTU, sempre alterado de conformidade com a Unidade de Valor Fiscal do Município. Às minhas custas fora construído o asfalto defronte o terreno da minha casa. Desde aquele tempo, até o dia de hoje, nunca passou um carpidor ou varredor limpando a rua. Se a mesma está desprovida de mato e de sujeiras é porque eu carpo e limpo a mesma.

Nas condições de aposentado pelo INSS, muito ao contrário do que ocorre no exército ou na polícia que promove o cidadão que ainda recebe os mesmos percentuais de aumento concedidos aos da ativa tal qual como ocorre com o funcionalismo público, nós, aposentados pelo INSS, após 35 ou mais anos de serviço, temos uma quebra vertiginosa na nossa aposentadoria em quase 30%. Se não bastasse, a desastrosa e malfadada revolução de 1964, ainda desvencilhou o aumento dos aposentados que era de conformidade com o percentual concedido para o aumento do salário mínimo. Conclusão: quem naquela época era aposentado com 1.000 reais, hoje não ganha mais do que 400 reais.

A segurança e o progresso da Pátria são mantidos às custas das calejadas mãos dos trabalhadores. O resto não passa de balela. Os que pouco ou nada fazem tem de tudo e, os que tudo fazem não tem direito a nada. Vergonha Brasil!

Uma única instituição previdenciária para todos é do que realmente estamos precisando.

Agora vem o tal aumento do IPTU. Eu ganhava relativamente bem, ao aposentar-me perdi mais da metade do que eu percebia quando estava na ativa. Estou trabalhando novamente para poder viver. Tenho levado tombos e mais tombos nessas calçadas malditas de mais de 30% de declível, e o que é pior, à noite não consigo conciliar o sono porque instalaram um bar onde era um empório. Os freqüentadores do mesmo perturbam a vizinhança a noite toda. Fazem de tudo e vendem de tudo a noite inteira sob a cretina e vergonhosa denominação de lanchonete.

Os defensores do aumento do IPTU que tirem a máscara.

Muito obrigado pela publicação.

Geremias Manoel dos Santos - RG 5.890.753

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