A verdadeira epidemia de pirataria que assola o País está atingindo todos os segmentos. Se antes tais ações limitava-se na imitação de grifes de roupas, na década de 80, hoje a realidade é bem diferente. Como sabemos, as indústrias fonográficas e cinematográficas são os principais alvos, o que corresponde a prejuízos astronômicos no setor, afetando, diretamente, a vida de cantores, autores, etc. Outro setor que vem sendo muito afetado com a pirataria é o óptico. Se antes as falsificações se restringiam aos óculos escuros, agora essa “indústria” atreve-se também na fabricação de óculos com lentes de grau. Cada vez mais, o prejuízo não é só financeiro e sim para a saúde do cidadão. Precisamos de uma atenção especial das nossas autoridades, antes que a situação torne-se catastrófica e, completamente fora de controle. Dados da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abiótica) revelam que as falsificações respondem por uma média de 40% dos cerca de R$ 650 milhões movimentados anualmente pelo setor. Com os óculos escuros, a vendas em qualquer camelô nas esquinas da cidade, o perigo se dá na falta de proteção contra os raios nocivos do sol, que podem causar prejuízos irreparáveis à visão. Essas imitações, são bem mais baratas, porque que não possuem tecnologia capaz de filtrar os raios ultravioleta.
Os danos resultantes do uso de lentes sem proteção UV são muitos. Um dos principais é o aparecimento precoce da presbiopia, a chamada “vista cansada”, que já começa mais cedo - por volta dos 40 anos - em países próximos do Equador, como o Brasil, onde a incidência de UV é maior. A exposição a esses raios pode afetar o cristalino, acentuando seu processo natural de envelhecimento.
É evidente que o vendedor ambulante não tem o material adequado e muito menos o conhecimento para orientar quem quer que seja. Quem usa óculos com lentes corretivas, por exemplo, deve adquirir lentes de policarbonato, que oferecem 100% de proteção contra os raios UVA e UVB. As Lentes fotossensíveis - claras em ambientes internos e escuras nos externos - também protegem não por escurecerem, mas sim por conterem em sua matéria-prima componentes filtrantes. Com os óculos escuros, o cuidado deve ser redobrado. As lentes escuras provocam a dilatação da pupila, permitindo passagem de maior quantidade dos raios prejudiciais. Por isso mesmo, óculos sem qualidade e sem garantia de procedência aumentam os riscos. A melhor dica, ao comprar óculos, seja de grau ou de sol, é procurar um profissional e exigir que a lente seja de policarbonato para obter 100% de proteção contra os raios solares UVA e UVB. Na dúvida, consulte sempre um especialista, que será capaz de orientar sobre as melhores soluções e que não prejudiquem sua visão.
O autor, Marcus Sáfady, é oftalmologista, membro da SBO e consultor do Instituto Varilux da Visão