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Cassáveis comemoram a não-cassação

Folhapress
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Brasília - Os próximos deputados no corredor das cassações por envolvimento com o dinheiro repassado pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza comemoraram a absolvição de Romeu Queiroz (PTB-MG), dizendo que ela sinaliza para outras decisões semelhantes.

Apesar de repetirem o bordão de que “cada caso é um caso”, os cassáveis afirmaram que a vitória de Queiroz é altamente simbólica. “Algumas lições de anteontem podem ser tiradas. A Câmara deu o recado de que a cassação, para ocorrer, precisa de fatos muito mais sérios”, afirmou José Mentor (PT-SP), que recebeu dinheiro para seu escritório de advocacia por intermédio de uma das empresas do publicitário Marcos Valério de Souza.

Outro petista, Josias Gomes (PT-BA), declarou que está otimista. “Anteontem se fez justiça. Cada votação tem seu momento, suas condições, e o que aconteceu me deixou bastante otimista”, disse o deputado.

Gomes é autor de um saque da conta de Valério no Rural, para a qual deixou sua própria carteira de parlamentar. O presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), considera que a Câmara “sensibilizou-se” com os argumentos apresentados por Queiroz, e por isso acabou tomando a decisão de absolvê-lo. “O próprio parecer que saiu do Conselho de Ética dizia que o deputado Queiroz não teve envolvimento com atos de corrupção. A Câmara ouviu o argumento e analisou de maneira técnica, o que é algo muito favorável”, afirmou.

Corrêa é apontado como beneficiário do esquema, mas diz que o dinheiro foi enviado pelo PT para pagar honorários advocatícios do deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Outro integrante do PP, o deputado Pedro Henry (MT), foi o único a rechaçar algum tipo de ligação de seu processo com o do petebista. Para ele, um “não tem nada a ver” com o outro. “Prefiro nem comentar, para que não seja feita uma ligação que não existe”. Henry é apontado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) como integrante do esquema. Até hoje, não foram encontradas provas que o liguem a recebimento de dinheiro do “valerioduto”.

Entre alguns dos deputados que podem perder o mandato na esteira do escândalo, o otimismo se deve também à avaliação de que a cassação de José Dirceu (PT-SP) já atendeu em grande medida ao clamor por punições. Os próximos processos seriam julgados em um ambiente de maior calmaria.

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