A prática do ecopaisagismo, porém, não está relacionada apenas a grandes áreas. Em pequenos espaços, como casas ou apartamentos, é possível “criar” ambientes bonitos e aconchegantes cultivando jardineiras, vasos de flores e plantas ou jardins externos, aponta Maria da Glória Ferreira de Castro, ecopaisagista do Garden, do estúdio Rômulo Cavalcante.
“É possível fazer um jardim vertical utilizando canos de PVC e criar ervas, cebolinha, salsinha, coentro e outros temperos que a dona de casa pode ter à mão”, detalha ela, salientando que para isso, é essencial que a pessoa conheça as características e necessidades de cada espécie natural.
“A pessoa deve saber que determinada planta é uma palmeira ou ainda que a outra é boa para aliviar dores no estômago”, detalha Castro, ressaltando que uma alternativa eficaz para praticar o paisagismo consciente é recorrer a cursos de jardinagem.
De acordo com a ecopaisagista, as plantas mais indicadas para as áreas urbanas e calçadas são espécies com sistema radicular pequeno e que não seja agressivo ao espaço que elas ocupam.
“A árvore, por exemplo, precisa fazer ‘um giro’ sem tocar em nada. Hoje uma árvore que mede 30 ou 40 metros de altura, por exemplo, um dia teve um centímetro. Quando se vai projetar um jardim é importante colocar a planta do tamanho em que ela vai ficar quando adulta”, reforça Castro.
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Estética ecológica
Com propósito de preservar o meio ambiente, o ecopaisagismo vem ganhando mais espaço no mercado de arquitetura e decoração, aponta a arquiteta paisagista Luciana Yacubian Fernandes.
“As pessoas têm buscado ajuda de profissionais para fazer um jardim corretamente, escolhendo espécies adequadas à temperatura e ao solo. Está havendo maior consciência de que é preciso conservar o verde e não somente destruir. O ser humano sabe que vale pena conservar os rios e plantar árvores. Há um movimento em busca disso”, aponta Fernandes.
Castro concorda com Fernandes. Para ela, a prática do ecopaisagismo não se resume ao cuidado consciente com as plantas e vai desde o a separação do lixo reciclável e evitar o desperdício de água até a criação de animais de estimação, destaca.
“Não basta simplesmente colocar uma tartaruga no jardim, é preciso olhar para ela, interagir. Com os cachorros e gatos, é importante observar como ele se sente, ‘conversar’ com ele”, diz a ecopaisagista.
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Qualidade de vida
Alternativa eficaz na área de decoração, arquitetura e preservação do meio ambiente, o ecopaisagismo proporciona ainda outros benefícios. Entre eles, estimular a melhoria da qualidade de vida, aponta a arquiteta paisagista Luciana Yacubian Fernandes.
“Além de melhorar esteticamente o jardim, o paisagismo cria um recanto para se ficar na sombra, proporciona uma temperatura mais agradável por meio das árvores e plantas”, diz a arquiteta.
Maria da Glória Ferreira de Castro, ecopaisagista do Garden do estúdio Rômulo Cavalcante, compartilha do mesmo pensamento que Fernandes. “Um jardim é feito de amor, paciência, expectativa pelo florescimento, o prazer de ter visto todo o milagre da natureza e poder participar disso”, diz.
Castro observa que o paisagismo funciona como anti-estresse. “Além de perfumar, as plantas são utilizadas nas áreas de cosméticos, saúde, alimentação e são ‘deleite visual’ para que as pessoas fiquem em estado de contemplação ao observá-las”, aponta.
“Precisa nos deixar levar pela natureza, prestar atenção no desenvolvimento das espécies. Uma tartaruga, por exemplo, não é apenas parte do cenário de uma casa”, destaca ela.
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Hobby familiar
Símbolos de beleza e bem-estar, os lagos ornamentais são cada vez mais utilizados na arquitetura e decoração de ambientes externos e internos e não se restringem a grandes espaços, explica o engenheiro agrônomo Guy Retz Godoy dos Santos. Ele e o engenheiro civil Luiz Carlos Silva do Prado são proprietários de uma empresa do ramo.
“Os lagos ornamentais são aplicados em todas as situações, desde fazendas até dentro de apartamentos duplex”, diz Santos. Segundo ele, a utilização da água no paisagismo faz parte da história da humanidade.
“Na Roma antiga haviam as fontes e chafarizes e o granito era usado na impermeabilização. Com a evolução dos métodos construtivos, passou-se a se usar lagos mais sinuosos e orgânicos. Hoje existem plásticos e borrachas que revestem o fundo dos lagos. Esses materiais acompanham a movimentação do solo e têm garantia de até 20 anos”, detalha o engenheiro agrônomo.
Por meio da tecnologia, o uso de lagos ornamentais no paisagismo se popularizou, aponta Santos. Parte desse sucesso está relacionado à preservação da natureza, uma vez que os lagos ‘abrigam’ carpas, tartarugas e plantas.
“As pessoas podem acompanhar o ciclo biológico do peixe, que ocorre numa escala micro dentro do lago. É um hobby da família”, diz.