Itapuí – Se a demanda por infra-estrutura tira o sono da comunidade, a gana com que o itapuiense cria soluções sugere oportunidade de desenvolvimento sustentável para o município. O empresário Domingos Zanocco, 74 anos, é um dos idealizadores de uma proposta, agora encampada pela prefeitura, que poderá se transformar em marca para Itapuí, além de criar um negócio criativo, gerador de renda e trabalho para a população. A madeira move diversas atividades empresariais no município e os restos, vendidos para alimentar fornalhas, podem ser matéria-prima para um produto-símbolo da cidade.
Pelo menos na inventiva proposta de Zanocco, o negócio seria excepcional. Ele conta que há muito tempo comenta a idéia em seu círculo de amizade. Ocupando o cargo de diretor-técnico da Trident Indústria de Precisão, instalada em Itapuí, Zanocco recebe muitas solicitações de emprego. Instalada em Itapuí, a indústria fabrica artigos para engenharia, desenho e arte e seria uma das que cederiam restos de madeira para dar vida à proposta. Recentemente, ele conseguiu um bico para duas pessoas que, ao térmico do trabalho temporário, insistiram no pedido de vaga na fábrica. Diante da dificuldade, Zanocco expôs o projeto de se lançar uma linha de produtos artesanais com a marca de Itapuí. Eliane Pereira de Godói Almeida e Valéria Martins Cândido abraçaram a proposta e acionaram a vereadora Sileni Valini (PSDB). Com despreendi-mento político, a vereadora tucana, Eliane e Valéria levaram a proposta ao prefeito Gilberto Saggioro (PPS).
“A gente está tentando semear daqui (nas empresas) com a intenção de que as pessoas sobrevivam com as própria pernas. Elas tomaram a coisa como desafio, conheciam a vereadora e foram atrás”, explica Zanocco, destacando o espírito empreendedor de moradores do município e que buscam colocação no mercado de trabalho.
Segundo Saggioro, o departamento jurídico da prefeitura definiu que agrupar as pessoas em uma associação é o melhor formato para tocar o novo negócio. Em princípio, a associação deve se chamar Vivarte e abrigar até 15 associados. A oficina da associação com maquinário adequado será em prédio da administração municipal no bairro Irmãos Franceschi, local que ainda precisa ser concluído. Ainda de acordo com o prefeito, a administração ajudaria a proposta a deslanchar e depois a associação ganharia autonomia.
Avaliando a idéia inicial de Zanocco, o chefe de gabinete, Armando Barros Silva Jr., entende que há possibilidade de ir além. Ele diz que, além de peças artesanais, os retalhos de madeira podem virar brinquedos pedagógicos e com produção em maior escala. Conforme Silva Jr., neste formato o produto “made Itapuí” atingirá um mercado consumidor mais qualificado pelo grande apelo dos kits educativos. Ele acrescenta que os empresários da cidade não apenas colaborariam fornecendo matéria-prima, mas também repassariam o conhecimento de como inserir as peças no mercado. A idéia entusiasmou Saggioro, que já pensa em lançar uma central de derivados de frango, com matéria-prima que poderia ser cedida pelos frigoríficos do município – Itabon, Santa Fé e Santa Cecília. A idéia é que as partes sem aproveitamento na indústria alimentícia sejam transformadas em quitutes preparados e comercializados por profissionais agrupados em associação. “Seriam medalhões de frango, embutidos e outros, com certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF)”, projeta.