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Tribo mantém 15 reféns em MT

Folhapress
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São Paulo - Índios caiabis mantêm reféns 14 homens e uma mulher na aldeia Cururuzinho, na divisa de Mato Grosso com o Pará, desde terça-feira da semana passada. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), trata-se de um protesto contra a demora na demarcação da terra caiabi e à ação de posseiros e madeireiros na região.

Os reféns foram levados à aldeia porque, conforme os índios informaram à Funai, estavam extraindo madeira dentro dos limites da terra indígena, cuja demarcação está suspensa por uma liminar da Justiça Federal. Payê Kayabí, administrador regional da Funai para o Parque Xingu, chegou à aldeia na última quinta-feira para negociar a libertação dos reféns. Das 32 pessoas detidas inicialmente pelos índios, 17 já foram libertadas, entre elas nove crianças.

De acordo com o funcionário da Funai, os reféns que ainda estão em poder dos índios passam bem e nenhuma das 32 pessoas sofreu violência na aldeia. Ontem, Payê foi até a sede urbana de Alta Floresta (800 quilômetros ao norte de Cuiabá) para tentar contato com representantes da Polícia Federal, do Ministério Público e do Ibama, cuja presença na aldeia é exigida pelos índios para a libertação das 15 pessoas que ainda são mantidas reféns. Ele deve voltar à aldeia Cururuzinho, onde deixou outro funcionário da Funai, tão logo consiga resposta desses órgãos.

A terra indígena caiabi ocupa cerca de 1 milhão de hectares na divisa entre Mato Grosso e Pará e reúne cinco aldeias, onde vivem aproximadamente 300 índios. A maior delas é Cururuzinho, onde estão os reféns. Em outubro de 2002, uma portaria do Ministério da Justiça declarou os limites da terra caiabi. Mas, durante a demarcação física da área, em agosto de 2004, os trabalhos tiveram que ser interrompidos por causa de uma liminar da Justiça Federal de Mato Grosso.

A liminar, pedida por fazendeiros da região, baseava-se no argumento de que o relatório da Funai que recomendou a demarcação precisava ser revisto, pois ele deixava dúvidas se a área era, de fato, tradicionalmente ocupada por índios.

Além de determinar a interrupção da demarcação, a liminar também estabeleceu que a área não poderia ser explorada por não-índios. Mas, segundo um perito do Ministério Público Federal, que não quis se identificar, cerca de 25 mil hectares dentro dos limites da terra caiabi foram desmatados desde 2002.

De acordo com a Funai, o resultado da perícia antropológica solicitada na liminar foi entregue à Justiça em setembro, confirmando a presença secular de índios na região - principal exigência para a demarcação de terras. Segundo a entidade, os índios caiabis mantêm os reféns na aldeia porque estão “impacientes com a constante invasão de seu território”.

Em setembro de 2003, índios caiabis e apiacás -outra etnia que vive na região- aprisionaram seis funcionários de uma fazenda situada dentro da terra indígena e pertencente a uma mineradora multinacional. O objetivo, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) era acelerar a demarcação física da área, interrompida um ano depois pela liminar da Justiça.

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