Itapuí - A morte de 36 frangos em uma residência no Balneário Mar Azul, em Itapuí (44 quilômetros de Bauru), está sendo analisada por laboratórios da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e da Secretaria de Estado da Agricultura, em Descalvado.
Sem causa aparente, as aves começaram a ficar amuadas no quintal da casa, a tremer, expelir um líquido esbranquiçado, vindo a morrer em seguida. Várias hipóteses foram levantadas para explicar esse fato inusitado, mas nenhuma foi comprovada até então.
O responsável pela Vigilância Sanitária em Itapuí, César Augusto Tomazi, acredita que as análises do laboratório da Secretaria de Estado da Agricultura ficarão prontas dentro de uma semana. O resultado das análises que estão sendo feitas na Unesp de Botucatu devem demorar um pouco mais, cerca de duas semanas.
Foram enviadas amostras de sangue das aves doentes e até mesmo frangos vivos com os sintomas de contaminação. Das hipóteses levantadas por Tomazi para a morte em massa dos frangos, a que mais ele acha provável é envenenamento.
Ele contou que recentemente todas as galerias de água e esgoto da cidade passaram por uma pulverização com o objetivo de matar ratos e baratas, que costumam se proliferar nas épocas mais quentes.
Como no Balneário Mar Azul existem muitas fossas sépticas, a pulverização teve de ser feita casa a casa. Em alguns casos, segundo Tomazi, a dose de veneno teve de ser maior por causa da quantidade de baratas.
De acordo com Tomazi, o veneno usado não afeta humanos e nem as aves. Ele acredita que houve contaminação das galinhas quando essas ingeriram insetos que receberam o veneno. Como as mortes foram registradas em apenas uma residência, Tomazi considera o fato um caso isolado.
Um técnico da Secretaria de Estado da Agricultura, que esteve em Itapuí para coletar amostras das aves, acredita em salmonelose – uma doença de origem bacteriana própria das aves.
Irritação
A suspeita de febre aviária causou irritação entre criadores de frango e empresários do setor avícola. “Antes de levantar uma suspeita como essa é preciso um pouco mais de critério e responsabilidade”, disse Pedro Luiz Poli, diretor-presidente da avícola Itabom, de Itapuí.
Segundo ele, as consequências disso podem ser desastrosas caso as suspeitas ganhem repercussão nacional ou internacional. Poli lembrou do caso de Marília, onde uma ave morreu e também foi cogitada a possibilidade de gripe aviária, mas a doença não foi comprovada.
“O Brasil é campeão mundial na criação de frango. O setor possui alta tecnologia. Nunca foi detectada gripe aviária no País, mas parece que a imprensa quer implantar isso”, reclamou. “O maior concorrente (da industria aviária brasileira) é o próprio brasileiro”, desabafa o empresário.