Geral

Astronauta brasileiro levará experimento da FEI para o espaço

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) é uma das nove instituições de pesquisas nacionais a enviar seus experimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS). O experimento seguirá com o astronauta brasileiro Marcos Pontes, a bordo da nave russa Soyuz. A missão espacial, marcada para 22 de março de 2006, vai executar experiências em ambiente de microgravidade, como o efeito da gravidade na cinética das enzimas, avaliado no Projeto SMEK da FEI.

Experimentos em Tecnologia de Enzimas, relacionados com biocatalisadores de uso industrial, têm sido desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisas em Biotecnologia da FEI desde 96. Já as pesquisas com diferentes enzimas em ambiente de microgravidade são feitas desde 98, em vôos na shuttle Discovery, na NASA, e a bordo de foguetes nacionais VS-30 do CAT/IAE , na base de Alcântara, Maranhão.

O SMEK foi desenvolvido num trabalho cooperativo entre os Departamentos de Engenharia Elétrica, Química e Mecânica da FEI. Trata-se de um minilaboratório informatizado e controlado eletronicamente para análise de reações enzimáticas de múltiplas variáveis. O projeto será utilizado para estudo do efeito da microgravidade na ação de duas enzimas: lipase e invertase, que serão testadas em concentrações diferentes de reagentes para o levantamento dos dados cinéticos.

“Pretende-se estudar o efeito da microgravidade na cinética destas enzimas, que têm grande uso nas indústrias química, de alimentos e farmacêutica”, explica Alessandro La Neve, secretário-geral, professor titular doutor do Departamento de Engenharia Elétrica da FEI e coordenador do Projeto SMEK e Microgravidade.

O SMEK permite a realização de reações enzimáticas a temperatura e tempos controlados. Segundo La Neve, o estudo da cinética enzimática é fundamental para a compreensão do mecanismo de ação das enzimas dentro e fora das células, e para o projeto de biorreatores enzimáticos industriais e biosensores.

Contribuição

“Isto poderá contribuir para a geração de conhecimento tecno-científico na área de biotecnologia, cujos resultados deverão servir para elucidar questões relativas aos mecanismos de reação, fenômenos de transporte de massa e calor, estabilidade das enzimas, dentre outros aspectos”, ressalta Alessandro La Neve.

“Finalmente, o conhecimento aprofundado desses fenômenos poderá contribuir para a otimização de processos enzimáticos, ou seja, melhorar o desempenho de processos que utilizam enzimas com o intuito de obter menores tempos de reação, usar menor quantidade de catalisadores e conseguir maior produtividade”, acrescenta ao contar que o uso de enzimas cresceu muito nos últimos anos.

“Este experimento deverá, ainda, permitir a ampliação do conhecimento e auxiliar no aprofundamento dos estudos em enzimas, que é uma importante linha de pesquisa em biotecnologia do grupo”, acrescenta Alessandro La Neve.

O dispositivo SMEK é constituído de um dispositivo mecânico, contendo 15 câmaras de reação, cada uma permitindo a mistura de dois líquidos diferentes, e de circuitos eletrônicos, que garantem o acionamento correto dos controles, a monitoração do sistema, a aquisição de dados e o aquecimento dos líquidos à temperatura e por tempo desejados.

O minilaboratório foi projetado para trabalhar com dois líquidos diferentes acondicionados em dois compartimentos.

Comentários

Comentários