Depois de oito anos dedicados à pintura acadêmica, a estudante de artes plásticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Ariane Siqueira descobriu seu estilo próprio. Com forte influência do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973), a artista busca a abstração das imagens por meio da simplificação das formas e o uso de traços arredondados e cores fortes. O resultado são telas expressivas e coloridas que afloram sentimentos de todos que as admiram.
Inspirada nas obras produzidas por Picasso na década de 30, período em que o pintor estava influenciado pelo surrealismo (movimento que valoriza o inconsciente) e pelo fauvismo (movimento que trabalha com cores puras e vibrantes), Siqueira busca reinterpretar pinturas de outros artistas consagrados, como Paul Gauguin. “Ao olhar uma pintura, procuro formas e imagens simplificadas que me chamem atenção”, explica. A escolha também tem como critério, na maioria das vezes, a mulher. “O corpo feminino combina com o colorido. Além disso, pode-se trabalhar melhor com as formas de maneira sensual e sutil”.
A partir disso, a artista redesenha a imagem em papel e vai abstraindo os formatos até chegar a um resultado equilibrado, entre cores e linhas, em que os elementos da pintura mantêm uma conexão. Com o desenho final em mãos, Siqueira o transfere à tela, trabalhando as cores de maneira intuitiva. “Durante o estudo no papel eu não uso cores. A inspiração das cores surge quando estou com o pincel nas mãos”, afirma.
Atualmente Siqueira conta com um acervo de dez telas. A maioria delas já foi exibida em exposições coletivas com outros alunos da universidade. A experiência lhe rendeu bons comentários de profissionais da área, além de uma tela roubada em outubro deste ano durante uma exposição no campus de Bauru da Unesp. “No início fiquei triste, mas depois vi que era um sinal de que tinham gostado do meu trabalho”, coloca a estudante, que anseia um dia poder exibir individualmente suas obras.
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Propaganda de xampu
Adepta do academicismo, Siqueira teve seu trabalho criticado quando entrou na faculdade. “O primeiro quadro que fiz ficou horroroso. Meu professor disse que parecia propaganda de xampu e que era mais fácil ter tirado uma foto, do que ter feito a pintura”, lembra. Mas este comentário só serviu de estímulo para que a estudante descobrisse seu próprio caminho.
Durante a disciplina de pintura, foi este mesmo professor, José Marcos Romão, quem percebeu que as obras de Siqueira tinham semelhanças com as de Picasso da década de 30. “Romão me forneceu vários livros da época e eu fui me aperfeiçoando, utilizando muitas técnicas do Picasso e incorporando-as ao meu estilo. Realmente eu me encontrei”, afirma. Desde então, Siqueira tem se aperfeiçoado, realizando pesquisas sobre o período e pintando cada vez mais.
A experiência com a arte fez com que a estudante tivesse o interesse em passar seu conhecimento à frente. “Meu sonho é trabalhar com crianças carentes. Porque acredito que um artista, como ser humano, deve ter uma consciência social. A arte é uma ótima maneira de desenvolver o lado cognitivo, a sensibilidade e a percepção visual. Nunca vou deixar de pintar, porque isso alimenta meu espírito, mas eu quero que outros tenham a mesma oportunidade”, finaliza.