Esta arte marcial coreana milenar exige muita dedicação e concentração. António José da Silva Marques Medeiros, o mestre português do detento e atleta Fábio Alves, a quem encaminha fotografias de seus treinamentos, surpreendeu-se com a dedicação do esportista e pretende visitá-lo já neste ano.
“O taekwondo Paraolímpico ainda é um sonho. No entanto, estão-se a fazer esforços para que tal seja possível. Se não conseguirmos nos próximos jogos, em 2008, iremos tentar para 2012”, acrescenta o mestre português.
Fábio prepara-se para isso. Nos exercícios de ioga, alonga o corpo e prepara a mente. Com o tempo, conquistou o respeito dos colegas e até chegou a ministrar algumas aulas a interessados. “A casa (P-I) sempre me apoiou. Me autoriza a usar o quimono, que é um sinal de respeito ao esporte, mas há equipamentos para treinos que não posso usar, como telhas e tijolos (para quebrar com a cabeça, no ‘teste de quebra’). Eu iniciei no esporte a partir da parte teórica. Tenho até um dicionário de coreano para compreender as palavras”, informa, carregando seu material de pesquisa.
O detento faz questão de frisar que o taekwondo não é um esporte violento. “Você precisa conhecer o seu íntimo e manter o autocontrole. É uma maneira de olhar para dentro de si. Eu me preparo com a meditação, pois preciso me concentrar para os exercícios”, acrescenta.
O diretor da Penitenciária 1, José Carlos Pedroso, 40 anos, valoriza a prática cultural e esportiva dos detentos e acredita que a dedicação de Alves possa servir de incentivo a outros presos. Ele está em Bauru há menos de um ano e pretende ampliar o acesso dos detentos ao esporte e à literatura.
“Em outra unidade, implantei uma biblioteca ambulante e até os presos que estavam no castigo tinham direito a livros. Queremos uma boa biblioteca aqui”, diz Pedroso, que comanda a unidade com 960 detentos em regime fechado e 107 no regime semi-aberto na ala de progressão.