As estenógrafas da Câmara são craques na redação de documentos.
É só chegar com os dados e dizer: - Congratulações!
Pronto! Sai uma beleza de documento em uma ou duas laudas, conforme o desejo. Uma vez, estávamos sem assunto e resolvemos enveredar pelo perigoso caminho do voto de pesar ao finado desconhecido. O Carabina foi até à funerária, trouxe os dados e dona Haidée fez a redação. Com o pomposo timbre da Câmara, o documento ficou mesmo bonito! Dava até nó na garganta!
O pior foi depois. Na semana seguinte, fomos procurados por um rapaz que mostrou-se surpreso com nosso apreço pelo finado pai. Dizia que seu pai era originário de Agudos, onde vivera a vida toda, e que um político de lá, muito amigo da família, arcara com as despesas do funeral. Destacou ainda que nossa amizade era para ele uma surpresa. Sinceramente - dizia ele - eu ignorava que meu pai tivesse algum vereador amigo em Bauru.
- Mas já que o senhor era “da família” , vereador, quem sabe se não poderia contribuir com 480 cruzeiros que gastamos com as flores. Essa despesa ainda está em aberto.
“Mas que flores mais caras!”, pensamos. “Temos de checar esta história com o Quatrina, lá na Sociedade Italiana!”
- Olhe, meu caro rapaz. Você acabou de dizer que um político de sua cidade fez questão de colaborar no enterro. Não fica bem nessas atividades a gente arrumar encrenca com políticos co-irmãos, de cidades vizinhas, etc, etc.
Assim, conseguimos sair desta pela tangente, mas até que foi bom! Serviu de lição! (Contada por Rui Bertoti)