Articulistas

Lula e o coelho à caçadora


| Tempo de leitura: 3 min

Em letras garrafais e em negrito, consta o seguinte cabeçalho na edição do dia 10/12/2005, na página A4, do jornal O Estado de São Paulo: “Lula chama oposição de golpista e diz que não age como Chávez”(sic).

“Golpismo”, presidente Lula, foi tudo aquilo que em 31/3/1964 as forças armadas, pressionadas pela oposição ao governo comunistóide de João Goulart (que v.excia apoiava, como sindicalista), pelo clero, pelo próprio povo e pela Banda de Música da UDN, usando artimanhas e instrumentos não previstos na Constituição que vigia em 1964 e derrubando e deportando o fraco presidente de então, efetivaram para implantar a ditadura que aquí subsistiu, desde então, até 1985. Os principais solistas daquela banda eram Afonso Arinos, Adauto Lúcio Cardoso, Bilac Pinto, José Bonifácio de Andrada e outros, que tinham como maestro o sr. Carlos Lacerda, governador do então Estado da Guanabara.

Considerando-se tudo o que foi apurado até agora a respeito das falcatruas cometidas no seio do seu governo - praticadas por seus subordinados de confiança - não há necessidade alguma de “golpismos” para apeá-lo do poder. Basta, para tanto, porque é cabível, pertinente, verossímil e possível, o ingresso de um processo de impeachment, impetrado por qualquer cidadão no gozo de seus direitos políticos, para que possa ser apreciado pelo Congresso Nacional. Da maneira que as coisas estão, dificilmente v.excia se salvaria ileso desse processo legal

A expressão impeachment (que é um anglicismo) vem de idêntico vocábulo inglês, etimologicamente derivado do verbo “to impeach”, que pode ser traduzido como impugnar, constatar ou denunciar. Tal procedimento é previsto na Constituição de 1988 que vige até hoje, e, portanto, não é “golpe”, como v.excia. vem demagogicamente pregando.

Golpe,sim, foi ,também ,o estelionato eleitoral praticado pelo senhor, presidente, e pelo PT, partido do qual v.excia. foi fundador e é presidente de honra até hoje, durante a campanha do processo eleitoral que culminou com a vitória de suas oportunistas novas teses de governo (vide a sua Carta aos Brasileiros, de junho de 2002) que, por sinal, colidem com o programa doutrinário e de governo do PT, partido com o qual o estereótipo “Lula” se confunde! Daí a origem da expressão “fogo amigo”, criada pelos que lhe são caros, para designar o desagrado por aquilo que o senhor e sua equipe (!) praticam e aquilo que a militância do seu partido esperava durante sua passagem pelo governo.

Presidente Lula: permita-me, data vênia, um conselho: fale o menos possível para não irritar a oposição e para que, assim procedendo, o senhor possa, ao menos figurativamente, suportar-se no poder... Não se candidate à reeleição e, em 1 de janeiro de 2007, volte para sua chácara em São Bernardo do Campo para preparar aquele coelho à caçadora que, dizem, o senhor sabe fazer tão bem! Ninguém melhor que v.excia. sabe que a oposição tem carradas de motivos (muitos já comprovados) para solicitar o seu impeachment, o que não é conveniente para nosso país nas atuais circunstâncias. Assim, por amor ao Brasil, seja prudente.

Quanto à sua negativa de não comparar-se a Hugo Chávez, digamos que v.excia. acabou de praticar um outro...ato falho. Mais um, entre tantos outros! Negando peremptoriamente a existência do alcunhado “mensalão”, acaba agora (entrevista em 29/12, quinta-feira) de afirmar com todas as letras que “o mensalão foi facada nas costas” - sic - (vide Jornal da Cidade, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Estado de São Paulo, etc, etc, etc). Durma-se com um barulho desses!

O autor, João Guilherme Ortolan, é comerciante em Bauru - e-mail: guiortolan@hotmail.com

Comentários

Comentários