Regional

Barra quer economizar nos repasses

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - A Prefeitura de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) pretende fazer um remanejamento no quadro de funcionários de confiança e reestruturar os repasses às entidades sociais para otimizar o uso dos recursos públicos no município.

“No final do ano passado, o Executivo foi obrigado a fazer uma economia para poder fechar o ano sem dívidas. Este ano, a prefeitura pensa em fazer um melhor planejamento no repasse de verbas para associações de bairros, asilos e várias outras entidades sociais.

“O ano anterior nós repassamos (verbas) conforme a administração passada já vinha repassando e aí chegou um momento que, por conta do fechamento de contas, nós tivemos que diminuir esses repasses. Aí surgiu a idéia. Se nós conseguimos no final do ano diminuir, por que a gente não reestrutura e não diminui agora para o ano todo”, explica Marcos Prado (PP), vice-prefeito de Barra Bonita.

A idéia, segundo Prado, é reduzir alguns cargos de diretoria e assessores e, principalmente, otimizar os repasses de verbas municipais para as entidades.

“Nós repassamos dinheiro para associações de bairros, asilos e várias entidades. Então, nós estamos querendo enxugar isso para poder sobrar um pouco de dinheiro para investimentos. O remanejamento vai ser de funcionários e também a gente vai tentar reestruturar essas entidades para ver se a gente consegue diminuir o repasse e fazer economia”, explica.

Horas extras

Marcos Edivaldo dos Santos, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, acha correto a prefeitura fazer a economia reduzindo os cargos de confiança que, segundo ele, são os que ganham mais.

“Tem que dispensar os assessores que estão a mais para que a prefeitura possa privilegiar os funcionários. Enxugando a máquina sobra dinheiro no caixa até para que eles possam continuar pagando horas extras”, comenta.

Segundo Santos, no fim do ano passado, a prefeitura parou de pagar as horas extras dos motoristas para poder economizar. “Foi no mês de novembro porque eles (a prefeitura) alegaram que tinham uma dívida de R$ 3 milhões e que não iam conseguir fechar o caixa. Então, tomaram algumas medidas cortando as horas extras e fechando também os postos de saúde à noite”, comenta Santos. “Cortar benefícios para o Posto de Saúde para beneficiar diretores e assessores da prefeitura não é certo”, critica.

De acordo com o sindicato, hoje a prefeitura tem em torno de 700 funcionários. Santos explica que os funcionários da Casa da Criança não têm direito a todos os benefícios concedidos aos funcionários da prefeitura. Ele espera que, com o enxugamento da máquina, a prefeitura possa dar pelo menos um tíquete de R$ 80,00 para os cerca de 160 funcionários da Casa da Criança. Os funcionários da prefeitura têm direito a um tíquete de R$ 120,00, além de abono de aniversário e ao 14.º salário.

“Os funcionários da prefeitura têm o 14.º salário, abono aniversário e tíquete de cesta no valor de R$ 120,00, coisa que os funcionários da Casa da Criança não têm. E a Casa da Criança também faz parte do nosso sindicato”, explica Santos.

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Dívidas

O Orçamento municipal de 2005, em Barra Bonita, foi de cerca de R$ 33 milhões e, segundo o vice-prefeito Marcos Prado, boa parte do dinheiro foi utilizada na área da Saúde para pagar dívidas do hospital.

“No ano passado, a gente fez um repasse muito grande para o hospital que não é totalmente de responsabilidade só da prefeitura. Foram gastos cerca de 22% do orçamento na Saúde ano passado. Nós repassamos em torno de R$ 160 mil por mês ao hospital para pagamento de dívidas”, comenta.

Para o vice-prefeito, reestruturar os repasses de verba é necessário para acertar as distorções. “É um estudo que nós vamos começar agora e deve passar por este mês todo de janeiro para que a gente não repasse os mesmos valores que repassávamos. Nós vamos iniciar agora um remanejamento em alguns cargos e provavelmente nós vamos tentar e conseguir reduzir um pouco alguns dos cargos de confiança”, explica Prado.

O Sindicato do Servidores Municipais pretende fazer uma assembléia, no próximo mês, para definir a pauta de reivindicação deste ano.

“Eu acredito que eles vão continuar pagando (as horas extras) mas para isso a gente vai ter que marcar uma reunião com o prefeito para acertar. Nosso medo é que a prefeitura não dê aumento para os servidores este ano”, conclui Santos.

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