Regional

Relatório acusa ex-servidor de Pongaí

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pongaí – O delegado Fernando Augusto de Lima Coqueiro, da Delegacia de Polícia de Pongaí (100 quilômetros de Bauru), chegou à conclusão de que o ex-diretor do Poder Legislativo, Abílio Peres Júnior, usou indevidamente talonário de cheques da Câmara Municipal.

No relatório do inquérito policial que investigou a denúncia de peculato, o delegado alega que existem indícios suficientes de crime. Por esse motivo, ele indiciou o ex-diretor por crime contra a ordem econômica e peculato.

O relatório foi encaminhado ao Fórum de Pirajuí. Seguindo o procedimento normal, o juiz deverá abrir vistas do processo ao Ministério Público (MP), que terá 15 dias para decidir se oferece denúncia contra o ex-diretor da Câmara ou se pede o arquivamento do processo.

Caso julgue necessário, o MP poderá solicitar ainda mais informações sobre o processo.

A denúncia de negligência e uso indevido de talonário de cheques da Câmara foi investigada pelos vereadores no ano passado, na primeira Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada pelo Legislativo.

Em agosto, o relatório da CEI foi aprovado por unanimidade pelos nove vereadores do município. Assim como o delegado da cidade, os parlamentares também consideraram o ex-diretor culpado pela emissão de três folhas de cheque da Câmara para uso particular.

Durante os trabalhos de investigação, os membros da CEI afirmam que ficou comprovado que o ex-servidor “agiu com abuso de confiança, preenchendo e assinando cheques pertencentes ao Legislativo pongaiense, sem o conhecimento do seu presidente”.

Peres Júnior foi exonerado do cargo assim que surgiram as primeiras suspeitas.

Os cheques supostamente emitidos pelo ex-diretor teriam sido usados para pagar compras em uma loja de papeparia e produtos de informática em Bauru e outras aquisições para uso particular.

Segundo a acusação, um dos cheques que teriam sumido do talonário da Câmara foi achado na lixeira, rasgado e com assinatura supostamente falsa do presidente do Legislativo, João Donizete Campoy (PFL).

De acordo com o relatório da Delegacia, laudo pericial comprovou que os cheques foram preenchidos pelo ex-diretor, mas diante da rasura e da supressão de parte importante dos cheques recuperados não foi possível aos peritos confirmar a autoria da assinatura.

De acordo com o Código Penal, a pena para o crime contra a ordem econômica varia de dois a quatro anos de detenção mais multa. Já o crime de peculato varia de dois a 12 anos de reclusão e multa.

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Davi e Golias

O ex-diretor da Câmara Municipal de Pongaí, Abílio Peres Júnior, voltou a negar ontem as acusações feitas contra ele.

As investigações da Comissão Especial de Inquérito (CEI) também foram contestadas, assim como o resultado do laudo pericial feito nas folhas de cheque. A intenção, segundo Peres Júnior, é pedir ao Ministério Público (MP) que desconsidere o laudo e o resultado da CEI, por causa de “várias irregularidades” em seu desdobramento.

O ex-diretor acredita que, assim que tiver acesso ao relatório da Delegacia de Pongaí, o MP deverá oferecer denúncia contra ele. No entanto, ele afirma que está confiante em sua defesa, embora classifique sua situação como uma batalha entre Davi e Golias. “Essa briga é complicada porque não tenho dinheiro nem poder”, alega.

Colaborou Davi Venturino

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