Bagdá - Ontem, um dia após dois ataques de homens-bomba que mataram mais de 120 pessoas no Iraque, milhares de árabes xiitas saíram às ruas da favela de Sadr City, em Bagdá, para protestar. O motivo da manifestação não foram somente os atentados de ontem - um deles matou mais de 90 pessoas, na cidade de Karbala, onde há um santuário xiita.
Os manifestantes xiitas gritavam também slogans contra o embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, pois acusam os americano de proteger políticos árabes sunitas que teriam dado guarida a grupos de insurgentes.
Na ditadura de Saddam Hussein (1979-2003), os árabes sunitas, grupo étnico-religioso minoritário no Iraque, dominavam o governo. Atualmente o governo é xiita, grupo que compõe a maioria da população iraquiana.
O Conselho Supremo da Revolução Islâmica, o principal partido xiita religioso do Iraque e que reuniu os cerca de 5 mil manifestantes, afirmou que estava “perdendo a paciência” com os americanos e lançou uma ameaça velada aos árabes sunitas que eles crêem estar apoiando a insurgência. A ameaça pode significar a ação da Brigada Badr, o antigo braço militar do conselho supremo, contra a população ou políticos árabe-sunitas. Já a objeção aos EUA diz respeito não só ao diálogo entre as forças do país e políticos árabe-sunitas - os quais os americanos vêem como necessários na formação de um governo de coalizão no Iraque, que seria capaz de trazer a paz - mas também ao que o partido vê como ações americanas prejudiciais às forças de segurança do Iraque - as quais são dominadas pelos árabes xiitas.
Os EUA tiveram mais problemas ontem no Iraque. Militares americanos reportaram a morte de seis soldados anteontem, em quatro ataques diferentes, o que elevou o total de vítimas das Forças Armadas dos EUA no país anteontem para 11. Mas, sobre os atentados de ontem - o dia mais violento no Iraque em quatro meses -, o general George Casey, comandante do Exército americano no Iraque, afirmou que constituem um surto de violência passageiro, “uma anomalia”. Segundo o general Casey, a violência recente não indica que o país esteja às portas de uma guerra civil.