“Me sinto no lugar certo. Sinto que estou dando os passos corretos na minha carreira”. Palavras do ator Pedro Garcia Netto, 28 anos completos hoje, que interpreta o médico e escritor Pedro Nava em sua juventude, na Belo Horizonte da década de 20, na minissérie “JK”, que estreou na terça-feira na Rede Globo. Pedro vive há alguns anos no Rio de Janeiro mas tem profundas raízes em Bauru, onde passou grande parte da adolescência e viu no amor pela atuação a profissão que gostaria de seguir em sua vida. Freqüentemente, ele vem à cidade para visitar o pai, a avó materna e os irmãos.
O papel na minissérie, em sua avaliação, é resultado de seu trabalho no teatro nos últimos anos. “Estava há quatro anos fora da TV. O Dennis Carvalho (diretor de ‘JK’) dirigiu meu teste e lembrou de ter me visto no palco. A experiência do teatro me ajudou na minissérie, que tem essa linguagem mais inflamada, mais teatral, que cabe na interpretação”, relembra o ator, que participou da novela “Filhas da Mãe” - era filho da personagem de Regina Casé - e também de “Caça-Talentos”, com Angélica.
Pedro é sobrinho do ator bauruense Edson Celulari, que ele tem como inspiração e guia em sua carreira. Entretanto, ele não vê facilidades na profissão somente por conta do laço sangüíneo. “Todos os trabalhos que consegui na TV foram através de testes. Para conseguir um personagem, não vale muito (o parentesco). Como um professor, um mentor, é importante ter um ator bem sucedido, mas para conseguir emprego, a dificuldade é a mesma (de qualquer ator). O Dennis Carvalho não vai escolher um cara mais ou menos porque é sobrinho de alguém, e sim um bom ator, ainda mais para uma minissérie como essa”, ressalta.
A participação do ator em “JK” deve durar mais duas semanas, até o fim da segunda fase. Para tal, foram necessários quase três meses de gravações. “Foi muito interessante e muito divertido participar da minissérie. Essa convivência com outros atores foi muito diferente. Meu maior desejo era ficar dez meses contracenando, convivendo no processo longo de uma novela, por exemplo.” Pedro aguarda atualmente o resultado de um teste para a próxima trama das seis na emissora carioca, “Sinhá Moça”.
____________________
Pesquisas e resultados
Para interpretar Pedro Nava, considerado um dos melhores memorialistas da literatura brasileira, Pedro foi buscar a história do médico e escritor bon vivant, assim como sua trajetória na companhia dos modernistas. “Ele se transforma nessa convivência com a boemia, com os poetas, e surge o escritor que ele viria a ser. Li ‘Baú de Ossos’, sua grande biografia, que ele escreveu aos 60 anos. Fui à Casa Rui Barbosa, em Botafogo, onde encontrei um acervo grande. Ele tinha uma maneira original de escrever, com a folha dobrada na máquina, para deixar um lado todo para desenhos e observações”, relata o ator. “Fizemos uma cena em que ele diz ‘Não precisamos de livros de medicina. Precisamos de poesia em vez de bisturi’, isso reflete a figura que ele era”, completa.
Atualmente, Pedro vem se dedicando a outro tipo de pesquisa. Todas as semanas, ele confessa ir ao Centro do Rio em busca de novos textos e obras que possa produzir para o teatro. “Produzir é a melhor maneira para realizar o que você deseja. É outro tipo de empenho, você trabalha mais e nem sempre ganha por isso. Deixa de receber para investir em um melhor cenário, figurino, na contratação dos melhores atores. Mas a satisfação é muito maior. É a maneira mais livre de você mostrar aquilo que quer”, aponta.
A primeira produção de Pedro foi o espetáculo “Equus”, com texto de Peter Shaffer, que ele protagonizou ao lado de Otávio Augusto em 2004. “A novela é importante financeiramente, dá exposição à carreira, mas em minuto algum deixo de pensar nas produções que quero realizar. Estou sempre em busca das grandes oportunidades, minha luta é essa”, resume. Luta certa de grandes papéis e de uma carreira promissora, sem dúvida.