Gália, a 50 quilômetros de Bauru, ficou conhecida na Capital paulista em meados dos anos 20 por possuir um dos maiores empreendimentos agrícolas do Interior do Estado de São Paulo. A Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, pertencente a um grupo inglês, tinha mais de dois milhões de pés de café, além de cinema, teatro e toda a infra-estrutura de uma cidade.
Na década de 50, com a crise cafeeira, o sonho dos ingleses se desfez e Gália passou a ser a ‘princezinha’ da seda, no período seguinte. Atualmente, a economia do município é baseada na agricultura diversa.
Dentre as pessoas mais ilustres que nasceram no município, figura nada mais nada menos que o novelista Benedito Ruy Barbosa, autor, dentre outras obras, de “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra” e “Esperança”. Ele viveu com a família em Garça na década de 30, depois mudou-se para Marília e São Paulo, onde iniciou sua vida profissional como jornalista esportivo.
Está em Gália uma das mais importantes áreas de conservação da natureza do Estado, a Estação Ecológica dos Caetetus, com uma área de 2.178,86 hectares de Floresta Estacional Semidecidual (Mata Atlântica de Interior).
Para os moradores, apesar do passado brilhante, o município precisa de empresas que possam gerar vagas no mercado de trabalho. Um comerciante da cidade que não quis se identificado, disse que tem mais galiense em Sumaré e Americana do que na própria cidade. “Em 1960, Gália tinha 20 mil habitantes. Hoje tem sete mil.”
A administração pública municipal enfatiza que o município tem 100% de esgoto e água tratada e já recebeu verba estadual e federal para recuperar as poucas ruas sem asfaltamento. As verbas vão contemplar ainda uma ampliação no único Centro de Saúde.
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Criminalidade ‘importada’
A criminalidade na cidade de Gália é importada, segundo o delegado Bolivar dos Santos Júnior. “Temos problemas com drogas. Os pequenos traficantes chegam de Bauru e fazem a venda e distribuição aos usuários da cidade.”
Como a droga está intimamente ligada a outros crimes, a pacata Gália sofreu seu primeiro roubo a mão armada no ano passado. “Tem gente da cidade envolvida. Foram eles que passaram as informações para os assaltantes.”
Em comparação com cidades de mesmo porte, Gália está numa situação privilegiada, acredita o delegado. “Em 2005 não registramos homicídios.”
Os furtos acontecem na área rural, ressalta o titular. “Novamente digo que os marginais são de fora da cidade. Eles atuam com informações de moradores daqui. Os furtos ocorrem em propriedades rurais. Eles subtraem café ensacados, carneiros, galinha e gado.”