Após quase uma década de crescimento constante, o ritmo de “desenvolvimento” demográfico das favelas em Bauru sofreu uma desaceleração significativa, segundo autoridades de diversos setores representativos da cidade. Para uns, este fato é conseqüência dos programas assistenciais dos governos federal e estadual, como o Bolsa-família, Bolsa-escola e Nutribebê. Para outros, é resultado dos trabalhos sociais desenvolvidos por entidades e associações da própria cidade em meados da década de 90.
“Se compararmos hoje com o início da década de 90 e proporcionalmente ao crescimento populacional de Bauru, com certeza houve uma desaceleração no número de famílias habitando em favelas ou em locais de vulnerabilidade”, explica Egli Muniz, secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes).
O surgimento de novas favelas e o crescimento das já existentes se deu no início da década de 90, com a instalação das penitenciárias I e II e com a migração de famílias da região para Bauru em busca de emprego. De acordo com Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, os familiares dos presos oriundos de outros Estados ou de outras regiões de São Paulo transferidos para os recém-inaugurados centros de detenção se instalavam na cidade por conta da rede de proteção social que Bauru oferecia. “Além disso, prefeitos de cidades da região incentivavam as pessoas carentes a virem residir em Bauru com a afirmação de que aqui as condições de vida eram melhores”, ressalta.
A ex-vereadora Catarina Carvalho, por sua vez, aponta que estes mesmos prefeitos, em muitos casos, traziam caminhões abarrotados de favelados e “descarregavam” em regiões periféricas de Bauru.
Em meados da década de 90, na tentativa de sanar o problema da falta de moradia, o governo Tidei de Lima iniciou, com investimentos do governo estadual, o programa de desfavelamento. Para o projeto foi criado o Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, para onde seriam transferidos moradores de oito favelas existentes na época em Bauru. No entanto, a mudança trouxe alguns agravantes, como o aumento da criminalidade. “A intenção era a melhor possível, mas não é fácil concentrar tantas pessoas carentes em um mesmo local”, afirma Brito.
Depois de alguns anos de turbulência, o núcleo habitacional se desenvolveu tanto em termos de infra-estrutura quanto de ascensão social de parte de seus habitantes. Tanto que, para os moradores do “Fortunato”, como é comumente conhecido o bairro, o termo favela é considerado ofensivo para designar o local. “Algumas pessoas ainda vêem aqui como favela, mas certamente essas pessoas não conhecem o Fortunato que eu conheço”, salienta a cozinheira Lourdes de Souza Benevites, moradora do núcleo habitacional.
Apesar da desaceleração do ritmo de crescimento populacional das favelas e das melhorias que alguns bolsões de pobreza apresentam, é consenso entre as autoridades entrevistadas pela reportagem que os projetos de desfavelamento ou mesmo de construção de núcleos habitacionais necessitam de programas que garantam ascensão social para resgatar ou promover a cidadania às pessoas carentes.