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General brasileiro é encontrado morto

Folhapress
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São Paulo - O general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar, que comandava as forças de paz da Organização da Nações Unidas (ONU) no Haiti, foi encontrado morto ontem pela manhã. Segundo informação divulgada pouco depois do meio-dia de ontem pela agência de notícias Reuters e atribuída a uma fonte da ONU, ele cometeu suicídio por arma de fogo, no apartamento que ele ocupava no hotel Montana, em Porto Príncipe, capital haitiana.

Minutos depois, uma fonte do Comando do Exército confirmava, em Brasília, que o corpo do militar foi encontrado pela manhã em seus aposentos no hotel. Mais tarde, o comando do Exército divulgou nota na qual “lamenta profundamente” a morte do general. No texto, o Exército não comenta as circunstâncias da morte do militar. Apenas diz que a ONU, por meio de seu setor policial, “está apurando as circunstâncias que envolveram o fato”.

A nota ainda afirma que o “Exército Brasileiro está acompanhando o trabalho de investigação policial”. Ontem pela manhã, ainda sem conhecer a motivação da morte, o comandante do Exército, general Francisco Roberto Albuquerque, por telefone, comunicou a morte de Bacellar a seus familiares. Procurada, a família disse no Rio que não vai dar declarações sobre o caso. Bacellar era natural de Bagé (RS) e tinha 58 anos.

No Exército, segundo a "Folha" apurou, a possibilidade de suicídio é tratada com extrema cautela. Isso porque, segundo o jargão militar, não havia nenhum “sintoma” do general a esse respeito. Anteontem, por exemplo, jantou normalmente com a tropa brasileira em Porto Príncipe. Reproduzindo declaração do tenente coronel Fernando da Cunha Matos, assessor de informações públicas da força brasileira no Haiti, à Agência Brasil informou que o general foi vítima de um “acidente com arma de fogo”. O comando do Exército não confirmou essa informação.

Desde 2004, o Brasil detém o comando militar das forças conhecidas pela sigla Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), cujo chefe diplomático é o espanhol Juan Gabriel Valdés. A ONU enfrenta sérios problemas para cumprir sua missão naquele país do Caribe, onde a falta de segurança e a infra-estrutura precária já adiou por quatro vezes as eleições presidenciais.

Em novembro último o general Urano passou por momentos difíceis, quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) acusou as forças da ONU de suposta omissão em chacinas ocorridas naquele país. Na denúncia, o Brasil foi responsabilizado pela ação de seus soldados em mortes de civis. Em entrevista à "Folha" em setembro passado, pouco mais de um mês após ter assumido o comando militar da missão, o general Bacellar afirmou ter encontrado no país uma situação calma e controlada.

Contido, mas transparecendo otimismo, ele afirmou estar sofrendo pressões por parte de autoridades haitianas para que implementasse uma ação militar mais ofensiva para conter a violência e lamentou que as mortes de civis fossem “danos colaterais” da atuação da força de paz.

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