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Bauruenses criam ONG no Tocantins


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No Estado mais jovem do País, um grupo de bauruenses está desenvolvendo projetos sociais que já atingiram mais de mil pessoas. Há três anos atuando no Interior do Tocantins, a ONG Social Desenvolvimento Humano e Comunitário já recebeu do governo federal o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e busca estender seus projetos em Bauru.

A história da organização começou com as viagens que o professor Nelson Russo de Moraes fez ao Tocantins com o projeto Universidade Solidária. Ele conta que logo se identificou com a região e resolveu se mudar de vez para lá. “É uma cidade que suscita a missão”, explica. Para conseguir se manter no local e desenvolver os programas sociais numa região tão carente, ele foi trabalhar para a prefeitura de Araguacema. “As famílias sertanejas são muito simples e com poucas condições financeiras, carecendo de orientação para a produção de alimentos e geração de renda”, conta.

Ele convidou alguns amigos, que também se mudaram para lá, onde fundaram a Social, como chamam a ONG e delimitaram os principais objetivos da entidade: promover o desenvolvimento social, combater a pobreza e cooperar para a qualidade do ensino público.

Atualmente, a organização possui 38 associados. Além de Nelson, os bauruenses que estão no projeto são a bioquímica Priscilla Caparroz, o biólogo Fábio Brega Gamba, a pedagoga Neuza de Moraes, a psicóloga Francine Caparroz, o odontólogo Rodrigo Pasquarelli Dal Médico, o geógrafo Alexandre de Castro Campos e Maria Fernanda Dantas Di Flora.

Para conseguir suporte para os profissionais, Moraes conta que a saída é arrumar um emprego fixo na cidade e em paralelo, desenvolver os projetos sociais. Ele, por exemplo, foi trabalhar como professor em Palmas para conciliar o trabalho com a Social. “Ficamos de olho nos editais do governo para financiamento de propostas e depois redigimos o projeto. Com um bom planejamento, e com o certificado de Oscip, podemos conseguir bons parceiros”, explica.

Em visita à família no começo de ano, Moraes aproveitou para divulgar o projeto que ele e os demais profissionais bauruenses desenvolvem no Tocantins. “Queremos levar pessoas e idéias novas para lá. E precisamos quebrar esse paradigma de que não dá para viver numa região como aquela. Dá sim”, revela Moraes. Ele mesmo se mudou para lá “de mala e cuia, papagaio e cachorro”, define. A pedagoga Neuza, esposa de Moraes, também atua na Social.

O geógrafo Alexandre de Castro Campos, vice-presidente da ONG, não vê a hora de voltar para o Tocantins. Em 2003 ele dirigiu a escola agrícola em Araguacema, mas com o final do contrato da Social com a prefeitura do município, ele teve de voltar a Bauru. Daqui, assessora os projetos em desenvolvimento em Pequizeiro (TO). Assim como Moraes, ele também já conhecia a região, pelos trabalhos com o Universidade Solidária. “E quando o Nelson Moraes foi para lá, eu fui junto”, recorda.

O que surpreendeu Moraes e Castro foi a acolhida do projeto pela comunidade. “Logo na primeira vez que as crianças levaram as verduras para casa, a escola virou assunto na comunidade”, lembra o geógrafo.

Com tantos projetos sendo desenvolvidos, a maior dificuldade é firmar parcerias. Além da entidade alemã, a Social possui projetos junto da Universidade de Guaraí, mas para conseguir desenvolver outros projetos, é preciso que outras instituições contribuam. Na visita recente que fez a Bauru, Moraes conseguiu a doação de livros para a biblioteca da escola de agroecologia. “E estamos conversando com uma outra entidade sobre a doação de computadores para as aulas de informática”, comemora.

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