No sábado passado, a Polícia Militar Rodoviária de Santa Cruz do Rio Pardo apreendeu em uma fiscalização de rotina uma bazuca lança-granadas, dois fuzis AM-16 calibre 765, um fuzil Ruger calibre 2.23, dez granadas, oito coletes à prova de balas, uma pistola Taurus ponto 40, dois revólveres calibre 38 de seis tiros, dois revólveres Taurus calibre 38 de cinco tiros, quatro barras de ferro e diversas munições de todos os calibres.
O arsenal foi interceptado no quilômetro 310 da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP 225) (Bauru-Ipauçu).
Segundo o delegado Renato Caldeira Mardegan, do 1º Distrito Policial de Santa Cruz, as armas apreendidas, com exceção das de calibre 38, são todas de uso exclusivo das Forças Armadas e estavam com a numeração raspada.
O delegado seccional de Ourinhos, Luís Fernando Quinteiro, informou que os fuzis apreendidos no sábado são de uso da Força Armada do Paraguai. Foram presos em flagrante José Pereira de Moraes, de 49 anos, e uma menor de idade. Os dois viajavam sentido Capital-Interior e a polícia tem quase certeza que as armas tinham como destino a cidade de Presidente Bernardes, onde também seriam utilizadas na operação frustrada de ontem.
“Agora temos que pegar o fio da meada e juntar com o que aconteceu em Presidente Bernardes”, disse Quinteiro, referindo-se às prisões feitas no sábado e as de ontem. Outra preocupação da polícia, segundo o delegado seccional, é descobrir quem é o preso que o grupo queria resgatar.
Por causa da apreensão ocorrida em Santa Cruz do Rio Pardo e da informação de que o arsenal seria usado para resgatar presos, a Polícia Militar do 18º BPMI ficou em estado alerta nas imediações do CRP em Presidente Bernardes, fato que ajudou a impedir ação de quadrilha ontem de madrugada.
Segundo o assessor de imprensa do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Danilo Bonfim, fatos como este trazem insegurança para os funcionários dos presídios da região de Prudente. “O sistema prisional no oeste paulista sempre despertou atenção do crime organizado, a maioria dos criminosos com maior periculosidade estão aqui. Estamos em um momento de preocupação, pois o crime organizado está cada vez mais armado”, afirma Bonfim.
Ainda de acordo com Bonfim, os agentes de segurança penitenciária trabalham sem armas e seriam facilmente dominados por bandidos armados. “Nós sempre alertamos o governo sobre isso. Nas penitenciárias normais, sem ser Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), onde policiais militares trabalham na segurança, os agentes têm como armas uma caneta e um apito, enquanto que o crime organizado tem míssil”, explica Bonfim.