Regional

Água causou hepatite A em escola

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina – Pouco depois do fim das aulas, em dezembro passado, a suspeita - depois confirmada - de um caso de hepatite A em uma professora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Santa Rita de Cássia, em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), deixou a prefeitura preocupada.

Laudo do Instituto Adolfo Lutz comprovou que a doença tem uma estreita relação com a qualidade da água que abastece a escola. De acordo com o exame feito pelo Instituto, foram encontrados coliformes totais em quantidade acima do permitido na água que foi coletada das torneiras da escola, onde estudam 562 crianças entre 3 e 6 anos.

A professora Ana Amélia Ferreira, 40 anos, ficou doente no início de dezembro. No dia 12, foram coletadas amostras da água pela equipe de Vigilância Sanitária do município. O material foi remetido ao Instituto Adolfo Lutz e sete dias mais tarde veio a confirmação de que a água estava contaminada.

As aulas na escola foram encerradas no dia 2 de dezembro e, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, nenhum outro caso de hepatite foi registrado até o momento.

No exame bacteriológico que apontou presença de coliformes totais na água da Emei, o Instituto alertava para a necessidade urgente de se investigar a origem da contaminação. Além disso, era preciso tomar providências imediatas para sanar o problema e depois realizar novas análises.

O laudo chegou à prefeitura no dia 19 de dezembro e só foi encaminhado à Diretoria de Educação para as devidas providências no dia 27.

A coleta de água foi feita na torneira. Assim que o exame comprovou a contaminação, todas as seis caixas d’água da Emei passaram por uma limpeza geral. Na próxima quinta-feira será feita nova coleta de água e o material será remetido ao Instituto Adolfo Lutz para análise.

Caso o índice de coliformes totais continue acima do tolerado, o problema pode não estar na caixa, mas no encanamento ou na água que vem da rua. Nesse caso, novas análises terão de ser feitas para identificar a origem da contaminação.

De acordo com a assessoria da prefeitura, as caixas d’água da Emei Santa Rita de Cássia já haviam sido lavadas duas vezes este ano, assim como as caixas dos outros prédios públicos. O serviço é feito a cada quatro meses pela Escola da Água, formada por técnicos ambientais de São Carlos.

____________________

Totais x fecais

Os coliformes totais reúnem um grande número de bactérias, entre elas a Eschrichia coli, de origem exclusivamente fecal e que dificilmente se multiplica fora do trato intestinal. O problema é que outras bactérias dos gêneros Citrobacter, Eriterobacter e Klebsiella, igualmente identificadas pelas técnicas laboratoriais como coliformes totais, podem existir no solo e nos vegetais. Desta forma, não é possível afirmar categoricamente que uma amostra de água com resultado positivo para coliformes totais tenha entrado em contato com fezes.

Já os coliformes fecais são microorganismos que aparecem exclusivamente no trato intestinal. Em laboratório, a diferença entre coliformes totais e fecais é feita através da temperatura (os coliformes fecais continuam vivos mesmo a 44ºC, enquanto os coliformes totais têm crescimento a 35ºC). Sua identificação na água permite afirmar que houve presença de matéria fecal, embora não exclusivamente humana.

Comentários

Comentários