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Governo começa tapar buracos pelo País

Por Humberto Medina | Folhapress
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Brasília - O plano emergencial de recuperação de estradas, lançado pelo governo no último dia útil de dezembro, estava pronto desde outubro. A informação é do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL-AM), que estimou o custo de uma reforma duradoura em R$ 20 bilhões. “O plano está pronto desde outubro. Em outubro eu concluí e fui convencer o governo, porque isso tem custos financeiros”, disse.

O governo vai gastar aproximadamente R$ 440 milhões para, em até seis meses, tapar buracos em 26,5 mil quilômetros de rodovias. A durabilidade máxima estimada é de um ano. Todas as obras do programa emergencial serão feitas sem licitação - aditamento de contratos ou contratação sem concorrência. Ontem, o ministro disse que, apesar disso, os custos não serão maiores. “Em média, vamos conseguir 20% de desconto (em relação a tabela do governo)”, disse.

Ontem, Nascimento inaugurou o programa e foi vistoriar obras em Goiás, nas saídas de Brasília - rodovias BR-040 (saída para Belo Horizonte-MG) e BR-060 (saída para Goiânia-GO). A comitiva contou com cinco carros oficiais e escolta de quatro carros da Polícia Rodoviária Federal. Os deputados federais Sandro Mabel (PL-GO) e Rubens Otoni (PT-GO), que têm base eleitoral no Estado onde estavam sendo feitas as obras vistoriadas, acompanharam o ministro.

Mabel foi acusado de envolvimento no escândalo do mensalão, mas o Conselho de Ética da Câmara recomendou sua absolvição.

Em todo o País, também começariam ontem obras em cerca de 120 frentes. Em São Paulo, seriam em cinco pontos: BR-101 entre Ubatuba e divisa com Rio de Janeiro; na Régis Bittencourt no trecho entre Taboão da Serra e a divisa com o Paraná; na BR-153, de Lins até a divisa com o Paraná; na Fernão Dias, da divisa com Minas Gerais até o entroncamento com a Dutra e na BR-159, de Lorena até o entroncamento com a Dutra.

Eleições

Logo na primeira parada, na BR-040, em Jardim Ingá, no município da Valparaíso (GO), periferia de Brasília, a vistoria do ministro adquiriu clima de campanha eleitoral. O diretório do PT de Cidade Ocidental, localidade próxima, estendeu uma faixa agradecendo ao governo pelas obras.

Nas duas entrevistas que deu, o ministro teve que justificar o fato de as obras estarem sendo feitas em ano eleitoral e no período de chuvas. “Em ano eleitoral não se pode parar as obras. As pessoas sempre vão reclamar. Reclamam quando não se faz a obra, quando faz a obra diz que o momento é impróprio”, afirmou. “O período é de chuvas mas nada impede que, entre uma chuva e outra, se faça as obras”, disse. “Os buracos vão aparecer de novo e nós vamos fazer manutenção”, afirmou.

Questionado sobre se não era muita festa para uma obra paliativa, o ministro respondeu: “Eu não estou fazendo festa, estou fazendo uma coisa diferente. Essa é a maior operação de prevenção que se faz na história do ministério”, disse. Lista O Ministério dos Transportes ainda não divulgou a lista completa, prometida pelo ministro, com o nome de todas as empreiteiras que estão fazendo obras sem licitação em cada trecho do programa.

No trecho em que o ministro parou, na BR-040, a obra estava sendo tocada pela Engesa. São 158 quilômetros de tapa-buracos, a um custo de R$ 3,05 milhões. O ministro informou que o edital para restauração completa desse mesmo trecho deve ser publicado em fevereiro e, em junho, devem começar as obras definitivas, a um custo estimado em aproximadamente R$ 30 milhões.

No segundo local onde o ministro parou, no trecho da BR-060 conhecido como “sete curvas”, a obra emergencial está sendo feito pela empreiteira Empa, a mesma que está fazendo a duplicação da estrada.

Nesse trecho, o custo da operação tapa buraco é de R$ 1,3 milhão. A obra completa na rodovia vai custar R$ 120 milhões. De acordo com o ministro, este ano deverão ser investidos aproximadamente R$ 10 bilhões em obras rodoviárias.

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