Cultura

Para dirigentes, Carnaval chega ao fim

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

A menos de dois meses para o Carnaval, até o momento muito pouco foi definido pelo poder público municipal sobre como será comemorada a festa popular na cidade. O tradicional desfile das escolas de samba no Sambódromo – áureo em décadas passadas mas que não é realizado há cinco anos – já foi descartado pelo secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre. Uma reunião está marcada para hoje, às 19h, para definir os rumos da festa, porém entre os carnavalescos, a esperança de reacender a chama do Carnaval chega ao fim.

“Nosso povo está desanimado. A cada ano, torna-se mais difícil recuperar o estrago de tanto tempo sem festa. Acho que o Carnaval acabou na cidade”, lamenta a vice-presidente do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba (GRCES) Azulão do Morro, Aparecida Brito Caleda.

O mesmo sentimento é compartilhado pelo presidente da Liga das Escolas de Samba e das Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec) e da Cartola, Pasqual Storniolo. “Estou desiludido. Fomos cinco vezes campeões pela Cartola e, de uma hora para outra, encerraram o Carnaval”, diz Storniolo, que diante de tanta frustração não sabe se vai continuar à frente da Lesec. “Tudo que se refere ao Carnaval, só vou decidir a partir da reunião com o Vinagre”, afirma.

Como foi divulgada em matéria do JC Cultura, a proposta da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) é de promover um evento de bailes populares nas quatro noites, com atividades culturais, mas até o momento nada foi definido. “A data não vai passar em branco, mas não sabemos como será o formato”, afirma o coordenador de Ação Cultural da SMC, Sivaldo Camargo, que está respondendo interinamente pela secretaria.

A não-realização do desfile das escolas no Sambódromo foi dada como certa por Camargo, mesmo com a inclusão do Carnaval na lei federal de incentivo à cultura, a Lei Rouanet. “A prefeitura não tem recursos e, com o descrédito do Carnaval, nenhum empresário quer colocar dinheiro”. Para ele, só será possível o retorno da festa se as escolas retomarem seus trabalhos junto à comunidade. “Todo grande evento parte de uma coisa pequena. É preciso um embasamento para não se repetir o que aconteceu com o Carnaval na cidade, que cresceu rapidamente, sem tempo para ter sido formada uma estrutura”.

Uma nova reunião entre a secretaria e os carnavalescos para definir a viabilidade e o formato da festa foi marcada para hoje, quando Vinagre retornar de viagem. Até lá, a dúvida continua.

Culpados

Para o presidente da escola Coroa Imperial, Avelino de Souza, a responsabilidade pelo fim da festa é dos governantes municipais. “Há uma grande falta de interesse de quem governa. Dizem que não tem dinheiro para o Carnaval porque é preciso tapar os buracos das ruas, mas a cidade continua com os buracos e sem Carnaval. Quem perde é o povo, que fica sem cultura”, coloca.

Já Storniolo reconhece que a culpa é de todos os envolvidos. “Lesec, escolas, prefeitura e imprensa só lembram do Carnaval em dezembro. A mídia só nos procura nessa época e os carnavalescos deixam tudo para ser resolvido de última hora”, afirma. Caledo também concorda com o carnavalesco. “Nós estamos falhando. Não adianta ter tudo no papel e não colocar em prática”.

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