São Paulo - O corpo do general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar, 58 anos, que foi encontrado morto no último sábado no quarto do hotel onde morava, em Porto Príncipe (Capital do Haiti), chegou na manhã de ontem à Base Aérea de Brasília. Segundo o Exército, o corpo seria levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde seria embalsamado.
Hoje, a partir das 8h30, haverá uma cerimônia em memória do militar na Base Aérea. De lá, o corpo do general, que comandava a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), seguirá para o Rio de Janeiro, onde será enterrado. Autoridades brasileiras investigam as circunstâncias da morte.
A hipótese mais provável é de suicídio. Cerca de 300 pessoas participaram anteontem da cerimônia de honras fúnebres ao militar. Promovida pela ONU, a homenagem terminou por volta das 7h40 (10h40 de Brasília).
O Brasil conseguiu anteontem o apoio da comunidade internacional para continuar à frente da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.
Representantes dos Estados Unidos, França, Canadá, Argentina definiram, em teleconferência, que o melhor para o Haiti seria a continuidade da missão chefiada pelo Brasil. O país indicou anteontem o nome do general José Elito Carvalho Siqueira, comandante da 6.ª Região Militar, em Salvador, para substituir Bacellar.
O nome do general sucessor ainda deve ser aprovado pelas Nações Unidas. Bacellar comandava desde setembro a missão, integrada por 7.500 homens, incluindo 1.200 brasileiros. Ele assumiu o posto em agosto passado, substituindo o general Augusto Heleno Ribeiro. Na teleconferência, os países concordaram também em manter as eleições no país, prevista para acontecer no dia 7 de fevereiro.
Avaliação
A provável confirmação de suicídio como causa da morte do general Bacellar vai exigir “análise bastante profunda” sobre as condições de trabalho dos militares brasileiros no Haiti, segundo reconheceu ontem comandante do Exército, general Francisco Albuquerque. Ele afirmou que a perda do principal militar brasileiro na missão já foi superada pela corporação, e que o resultado das investigações sobre a morte de Bacellar, com a possível confirmação de suicídio, não irá afetar a capacidade operacional das tropas brasileiras no Haiti.
O general Bacellar foi encontrado morto, com um tiro, na varanda do hotel onde estava hospedado em Porto Príncipe. Até o momento, as causas de sua morte não foram esclarecidas, mas peritos trabalham com três possibilidades: acidente com arma de fogo, assassinato e suicídio. “Não temos ainda o laudo final. Existem ainda algumas idéias que estão sendo colocadas. Se essa hipótese (de suicídio) tiver sido a verdadeira, precisa de uma análise bastante profunda”, disse Albuquerque.
Ele admitiu a existência de dificuldades nas condições de trabalho dos militares envolvidos na missão, mas disse que essas restrições enfrentadas há 20 anos, não põem em risco o cumprimento da missão. “As dificuldades são muitas. Não é de agora, há 20 anos restrições existem. Inclusive agora nós temos recebido uma atenção bastante forte no sentido de mudarmos essa situação que aí está. Isso não põe em risco o cumprimento da missão. É claro que temos que trabalhar no sentido de melhorar as condições a cada dia. Mas todas essas dificuldades são superadas”, afirmou.
Segundo Albuquerque, o general Bacellar foi escolhido para chefiar a missão porque “era o melhor”, e fez questão de ressaltar que o Exército brasileiro está em condições de alcançar os objetivos da missão, de assegurar a tranqüilidade no país, pois os militares brasileiros naquele país foram treinados para a missão. Assim como o próprio vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, o comandante do Exército destacou que toda missão militar envolve riscos, e que mesmo assim é importante para o país participar de missões internacionais.
“Nós vivemos num mundo globalizado. E é importante nesse mundo globalizado a busca da paz”, disse Albuquerque ao defender a missão no Haiti não só como uma oportunidade de ajuda ao país que recebe as tropas internacionais mas também para reforçar a posição e projeção internacional do Brasil. Segundo ele, a participação do país na missão “veicula o nome do Brasil na comunidade mundial associando à estabilidade e à segurança mundial”, pois cria condições de restabelecimento do estado democrático de direito no país assistido.
Depois de uma visita a Porto Príncipe (Haiti) ainda no fim desta semana, o comandante do Exército Brasileiro vai à sede Organização das Nações Unidas (ONU) discutir o futuro da missão, principalmente diante das eleições no Haiti, previstas para fevereiro. O problema do Haiti não é só operacional, é um problema com características sociais e com características econômicas.
“Nós estamos lá para manutenção de uma tranqüilidade que permita essa outra parte ser conduzida, que é a atenção e solução dos problemas sociais e econômicos”.