A formação instrumental básica do rock’n’roll ganha o suíngue brasileiro com o som da percussão e do berimbau que a cantora e compositora mineira Liz Santana traz hoje a Bauru, a partir das 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc). “Vamos fazer um show com composições próprias e com batuque brasileiro”, adianta Santana, que vem acompanhada por Richard (bateria), André Ivanovic (baixo), Miriam (percussão) e André Fonseca e Augusto Carvalho (guitarras).
No show, o público poderá conferir 11 músicas próprias, gravadas em CD demo, que trazem toda a energia de uma mulher que fez da música o meio de extravasar seu sentimento de inconformidade. “Escrevo desde muito nova, mas não com o objetivo de dizer algo a alguém, nem de mudar alguma situação. É apenas uma forma de pôr para fora tudo o que me faz mal”, coloca. Como na canção “Cantar é Preciso”, em que Santana faz uma crítica a pessoas que fazem da ambição seu único objetivo.
A paixão da cantora pela cidade de São Paulo também foi transmitida na canção “São Paulo”, em que Santana narra toda a loucura e encantamento pela metrópole. “Já morei em cidades de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, mas não tem comparação. Me apaixonei por São Paulo à primeira vista. Adotei esta cidade como minha”, diz, encantada.
O show, que passa pelo blues, maracatu e pelo samba sem abandonar o rock, marca a estréia da turnê nacional da cantora. “A expectativa é grande e muito positiva, porque estou louca para tocar no Brasil”, conta. Há três meses, Santana retornou de uma turnê pela Dinamarca que, segundo seus próprios relatos, levou o público ao delírio. “Nós chegamos com instrumentos e músicos brasileiros e unimos com a guitarra britânica e arrasamos. Lá, eles nunca tinham visto esse casamento de sons”. Daqui a seis meses, Santana segue para o Canadá, onde grava seu primeiro CD. “Gostaria de lançar meu disco por uma gravadora nacional, mas como não houve maior interesse, vou para fora”, lamenta.
• Serviço
Liz Santana faz show no Sesc hoje, às 21h, na área de convivência. Ingressos a R$8,00 e R$4,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações pelo telefone (14)3235-1751.
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Luz do teatro
A carreira de cantora não teria sido possível se não fosse o teatro. “Busquei as artes cênicas para compreender mais profundamente o ser humano. A partir disso, dei vazão a toda vontade reprimida de cantar e me apaixonei. É a música que me motiva a viver e o que me faz feliz”, coloca a cantora, que também é atriz.
Desde muito nova, Santana sentiu um encantamento pela música. Com dez anos, compôs sua primeira canção, mas teve seu sonho de cantora amargurado por imposição da família. Mesmo assim, sua adolescência foi marcada pelo som de Led Zeppelin, The Doors, Nirvana e os brasileiros Renato Russo, Cazuza e Chico Buarque. “Ficava o dia inteiro com o walkman na orelha escutando meus ídolos”, lembra.
O sonho de cantar foi retomado após as aulas de artes cênicas na Casa de Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Lá, Santana recebeu todo apoio dos professores que viram na aluna uma promissora cantora. “Meus professores disseram para eu cantar. Aquilo era o que precisava ouvir para ir em frente”. Santana, que já havia feito participações no cinema e em programas de televisão, decidiu dar um tempo na carreira de atriz e dedicou-se profundamente à música. Há três anos tocando profissionalmente e com uma carreira em constante ascendência, nota-se que a decisão foi um acerto.