Uma das mais belas artes, a música é algo que encanta e embevece a todos. Tanto para compor como para executar é necessário ter sensibilidade. Bauru tem sido ao longo dos anos um campo fértil na música. Aqui tenho o privilégio de desfrutar da amizade de muitos músicos, tanto amadores quanto profissionais. E dentre os profissionais quero fazer um breve comentário.
Nesta categoria destaco: o autor, o arranjador, o executante (ou grupo de executantes) e o professor. Em todos eles há grande mérito. Mas dentre esses há um em especial: o arranjador. Não pretendo aqui desmerecer ou menosprezar os demais. Todos merecem o meu maior respeito e admiração.
Mas o arranjador tem algo a mais que os outros: ele consegue reescrever a mesma melodia, em todos os seus compassos e acordes, dando-lhe uma nova roupagem. Mas para que possa realizar essa tarefa muitos predicados lhe são exigidos: conhecer harmonia e composição, o timbre, a afinação e a extensão de cada instrumento, ter em sua memória auditiva os sonos dos acordes, saber escrever para cada diferente naipe e os solos que caberão a cada um dos músicos, respeitando naturalmente suas capacidades de leitura e de execução.
Naturalmente um arranjador precisa conhecer os músicos para os quais estará realizando uma nova obra. E se trabalharem juntos, melhor ainda. Feliz é o grupo musical que pode ter em sua equipe um arranjador, é um privilegiado, pois tem consigo uma verdadeira dádiva.
Também nessa área Bauru é pródiga. Conheço vários músicos na cidade que têm essa capacidade e que já têm demonstrado esse talento em muitas apresentações artísticas locais e fora da cidade.
Grandes orquestras do passado muito se valeram desses talentos: Duke Ellington, Count Basie, Stan Kenton, Glenn Miller, Benny Goodman, Tommy Dorsey são exemplos clássicos desse aproveitamento. No Brasil, Severino Araújo e Ciro Pereira são alguns exemplos.
Nessas famosas big-bands muitos de seus músicos nelas permaneceram por vários anos, o que ao final, lhes deu timbre e sonoridades marcantes, que as distinguia umas das outras.
Quanto mais tempo juntos, arranjadores e músicos num mesmo grupo, maior será o seu entrosamento, e por consequência, maior a sua capacidade de encantar a todos com a sonoridade que alivia a alma e nos leva por devaneios inimagináveis.
Bauru tem grupos musicais para todos os gostos: samba, choro, bossa, MPB, rock, pagode, sertanejo, clássico, country. E aqui se destacam hoje: a Orquestra de Câmera e a Big-Band Veritas, a Orquestra Canaã (esta uma grata surpresa, pois ainda é recente), a Orquestra de Jovens do Teatro Municipal, e a Bauru Jazz Band.
Aos dirigentes desses grupos: valorizem seus arranjadores e músicos; prestigiando-os, enalteçam suas qualidades, porque eles são “a alma” de qualquer corporação musical. Renovar sempre é preciso, mas deve-se tomar cuidado ao se remover determinados componentes do conjunto, pois pode trazer mais malefícios do que benefícios. Um músico experiente sempre tem algo a transmitir aos mais novos.
A esses músicos que nos encantam, que nos trazem prazer e alegria, que revitalizam o nosso viver e nos animam para os embates diários da vida, a nossa eterna gratidão.
Antístenes Garcia Menezes