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Vantagens dos flex não ‘evaporam’ com alta do álcool

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

As constantes altas do preço do álcool nas bombas têm levado muitos consumidores - e parte da mídia - a duvidar das vantagens dos veículos bicombustíveis. A alegação principal é a de que, com valor do álcool nas alturas - só nos últimos seis meses subiu mais de 96% em Bauru -, os modelos flex não compensariam mais. Um equívoco defendido por falta de informação ou raciocínio precipitado, pois o custo dos combustíveis não tem relação direta com o fato dos flexíveis serem viáveis ou não.

Renato Tambara Neto, gerente de vendas de uma concessionária bauruense, concorda com o raciocínio e ressalta que quem pensa desta forma está desviando o foco das reais vantagens dos bicombustíveis. “As pessoas estão confundindo, pois adquirem os bicombustíveis como se fossem carros só a álcool e depois falam que suas vantagens acabaram, o que não é verdade”, enfatiza.

Segundo Tambara Neto, a maior vantagem dos flex está na liberdade de escolher o combustível na hora de abastecer. “Se não compensa mais rodar a álcool, coloque gasolina e fim de papo. E, se depois, na época da safra, o preço do álcool voltar a cair, é só retornar a utilizar o álcool. Para isso é que foi criado o flex e quem não se atenta para isso está, na verdade, perdendo o foco”, analisa.

Além disso, o gerente lembra que no atual mercado automotivo nacional os carros mais valorizados são os bicombustíveis. “Basta ver os números de vendas deles no País. E eles também têm hoje os melhores valores para uma eventual revenda. Por essas razões, não estou entendendo os motivos das pessoas terem essa visão. Acho que os consumidores não fazem contas”, enfatiza. E acrescenta:

“Os motores flexíveis foram considerados como uma das maiores inovações do século 21. É uma tecnologia única no mundo, que todos os países querem, e o brasileiro está dispensando porque casou a idéia errônea de que os bicombustíveis são monocombustíveis a álcool.”

Já para o vendedor Oneir Caçador, da mesma revenda de automóveis, os bicombustíveis estão tão fortalecidos no mercado nacional que o valor dos combustíveis não irá abalar seu prestígio junto aos consumidores. “O Brasil é âncora de uma tecnologia única e existente apenas por aqui. Só que o brasileiro precisa sempre reclamar de alguma coisa e essas críticas sobre os flex não passam de conversas de botequim que não vão alterar em nada o mercado. O casamento do brasileiro com o carro flexível está sacramentado e cada vez mais pessoas querem casar com eles”, afirma.

Um dos que “casou” há pouco tempo, cerca de um ano e meio, com um veículo bicombustível foi o padre Tarcísio de Oliveira Pinto, de Avaré (SP). Dono de um Volkswagen Gol 1.6, o pároco afirma estar plenamente satisfeito com o automóvel. “Não tenho do que reclamar dele”, frisa. Além disso, ele não mostra qualquer preocupação com as elevações freqüentes dos combustíveis nos postos e comprova que é um usuário consciente das vantagens dos flexíveis.

“Por enquanto estou rodando só com álcool, mas se ele continuar subindo vou ter de fazer contas para ver se compensa continuar nele ou com gasolina. Mas nem por isso vou achar que não compensa mais ter um flex. Pelo contrário. Poder escolher entre mais de um combustível é um privilégio”, argumenta o padre.

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