Em minhas caminhadas matinais, por várias vezes passei ao redor do recém-inaugurado Confiança Flex, para apreciar com mais calma sua magnífica construção e deleitava-me em apreciar as frondosas árvores que ocupavam a quadra vizinha. Vislumbrava um futuro logradouro público com bancos e outros arranjos ornamentais; cheguei mesmo a pensar que como fruto da criatividade humana alguns pontos, sob suas copas, poderiam ser aproveitados como estacionamento para carros, sem agressão ao meio ambiente. Fiquei chocado e entristecido ao ler a matéria corajosa e realista escrita pelo leitor Pedro de Souza Meira, publicada sob o título “Árvores Destruídas”, em que registra seu inconformismo pelo corte de 27 frondosas árvores mediante justificativas que são injustificáveis a qualquer cidadão de bom senso!
Árvores na flor da idade, lindas, garbosas, que ali estavam imponentes, florando e dando sombras apesar de, certamente nunca terem sido notadas e admiradas por muitos que por ali passam. Meu caro, concordo plenamente e apresento-lhe os meus cumprimentos! Que triste sina está tendo a mãe natureza pela atuação irresponsável do agente racional homem. Mediante justificativas e mais justificativas, tanto nas cidades como nas florestas árvores são derrubadas impiedosamente, provocando os desequilíbrios ecológicos e os animais perdendo os seus habitats.
Alguns fatos denunciam e refletem essas realidades que, o homem, preocupado com coisas “mais importantes” não enxerga ou procura não enxergar. Casos como o da belíssima onça de 70 kg atropelada durante uma madrugada nas proximidades de Lucianópolis; a invasão das maritacas nas cidades devorando avidamente os fios telefônicos; as capivaras que, em um visível contraste ambiental povoam as poluídas águas das Marginais do Tietê e Pinheiros em São Paulo ou aquelas que aparecendo nas praias procuram abrigo nas águas do mar; as aves que invadem as lavouras de milho e tem que ser afugentadas por espantalhos eletrônicos e manuais.
E o que se dizer do frio do atual verão? E como será o inverno deste ano? A justificativa maior que se ouve para este estado de coisas é a de que é imposição do progresso!! Progresso! Chego a imaginar que crianças e adolescentes no próximo século conhecerão florestas e muitas espécies animais somente pelas enciclopédias virtuais e nos zoológicos; chego a imaginar ainda em futuro distante que as florestas destruídas serão substituídas por outras de árvores de. plástico erigidas por exímios e renomados artistas, porém sem vida! Ilustre articulista Meira e caros leitores que se interessam pelo meio ambiente, vocês já notaram a mata maravilhosa de cerrado que cobre a região sul de Bauru, principalmente nas imediações da Unesp? Até quando resistirá? Eis uma questão que precisa e merece ser discutida. Minha mente fervilha com esses absurdos e discrepâncias e, embora eu seja um educador otimista, chego a pensar de que na dicotomia educação e ganância, infelizmente está prevalecendo a ganância. (Joaquim Eliseo Mendes - professor)