Tribuna do Leitor

GISELE BÜNDCHEN, A CORRUPÇÃO E A HIPOCRISIA


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A principal top model em todo o mundo, Gisele Bündchen, afirmou no Folha Ilustrada (13/01/06) que o maior problema do Brasil é a cultura da corrupção. A estrela da moda tem razão e este seu posicionamento mostra que ela não se preocupa só com a beleza, e sim também com os fatos políticos e com o conhecimento.

A insensatez e a indiferença tornaram-se comuns no nosso meio social. Fora as exceções, todo mundo quer levar vantagem, e para isso corrompem ou se vendem. Os políticos não são extraterrestres, apenas são os representantes fiéis deste tipo de sociedade que hipocritamente verbaliza a palavra ética, mas no cotidiano pratica a patifaria.

Os escândalos e as improbidades não ocorrem só nos três poderes constituídos, como queiram crer alguns. A enxurrada de mentiras e decência fingida virou a característica viva de setores da nossa sociedade. Muitos têm a ganância como meta e grande parte dos que se auto-intitulam “moralistas”, estão mais fétidos do que cano de esgoto. A falsidade virou um autêntico perfume e hoje em dia se a pessoa não for observadora corre o risco de beijar poste, afagar paralelepípedo e abraçar porcos espinhos.

A miséria virou lucro para os falsos humanistas, para os cafetões da fé alheia e para pseudo-revolucionários que pregam a igualdade sentados tranqüilamente em belos sofás, tomando whisky e comendo Chicabon.

É lógico que por mais imperfeita ou corrupta que seja uma sociedade é dela que saem os salários dos homens públicos. Portanto, virou normalidade ver pequenos lalauzinhos, aprendizes de ladrões, genéricos de trombadinhas da coisa pública e estagiários menores da corrupção, afirmarem por aí que todo político não presta ou é ladrão. Ou seja, chegamos ao cúmulo do buraco pedir a punição da cratera. E quando essa gente reclama dos escândalos praticados por políticos, o fazem não por serem honestos, e sim por inveja de não estarem lá, para praticarem o mesmo ato igual ou pior.

Essas CPIs, nada mais são do que a grande batalha armagedônica entre os velhos ratos da política nacional contra os camundongos pós-modernos de setores de uma esquerda festiva e hipócrita que se maravilhou com as benesses e as promiscuidades do poder. Temos eleições este ano e se o Lula por reeleito, ou ganhar José Serra, Geraldo Alckmin, Anthony Garotinho, Heloísa Helena ou outros, nada vai mudar. O caldo de corrupção endêmico da nossa sociedade faz com que as faces do sistema mudem apenas os nomes dos mandatários, mas política e administrativamente, tudo fica igual. Ou muda o comportamento da sociedade como um todo, ou os seus representantes políticos sempre serão os frutos daninhos de uma árvore frondosa, mas podres. (Pedro Valentim)

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