Ser

Tweens adoram salão de beleza

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

A geração das tweens, formada por garotas entre 7 e 10 anos, ganha cada vez mais adeptas. No salão da cabeleireira Nilce Batista, elas representam 20% da clientela. “As meninas vêm ao salão uma vez por mês ou a cada 15 dias, geralmente quando têm festinhas ou aniversário das amigas. Fazem hidratação e adoram pintar o cabelo. Não fazem somente luzes, mas gostam de pintar o cabelo de rosa e azul”, detalha.

Fã de penteados, como cachos e tranças, Nathália Regina Merino da Silva, 10 anos, cuida dos cabelos desde os 3 anos. Duas vezes por mês, em média, vai ao cabeleireiro, na companhia da mãe, a assistente administrativa Valéria Merino da Silva, e da irmã Thaís, 17 anos. “Toda vez que eu vou ao salão, ela quer ir junto”, conta a mãe.

Nessas ocasiões, Nathália pinta as unhas, de preferência em tons de rosa, decoradas com desenhos. Cuidados com o peso e maquiagem também fazem parte do seu cotidiano. Ela evita sair de casa sem batom e gloss.

Esmaltes coloridos e decoração artesanal são os preferidos da pequena Tainã Tonim Cunha Bastos, 10 anos. Apoiada pela mãe, a promotora de eventos Vivian Daniele Tonim Colim, ela começou a freqüentar o salão de beleza aos 6 anos de idade. “Depois disso, eu passei a pedir para ela me levar”, conta a menina, que não restringe os cuidados estéticos apenas às unhas.

Seus cabelos também recebem tratamento especial e são lavados com cremes e xampus específicos para crianças. Na hora de se arrumar - principalmente para festinhas e reuniões com amigas - a cabeleireira já sabe o penteado preferido da garota: escova e chapinha.

Já a maquiagem é feita por ela mesma, em casa. “Minha mãe que me ensinou e hoje faço a maquiagem sozinha”, orgulha-se Tainã. No rosto, rímel, sombra, batom e gloss, tudo de cores claras e bem levinhas, que garantem um look natural, avisa a mãe.

“Não adianta nada a criança sair do salão como um robozinho ou uma mulherzinha. Não se pode tirar o encanto natural da criança”, diz Vivian. E ela impões certas regras. Ajuda a filha a controlar o peso, mas faz restrições quanto ao cabelo, por exemplo. “Tudo tem a idade certa. Não a deixo pintar o cabelo, quando ela tiver mais de 12 anos, pode ser”, revela.

Limites

A vaidade infantil é fruto da sociedade, na maioria das vezes influenciada pelo consumismo e preocupação excessiva com o corpo e a imagem, explica a psicóloga Luciana Biem Neuber. “Basta observar a quantidade de adolescentes insatisfeitas com o corpo e a busca desenfreada por cirurgias plásticas e regimes”, diz.

Nesse cenário, os pais exercem papel fundamental na educação de seus filhos, afirma ela. “As crianças precisam de uma atenção especial. Elas ainda estão em processo de desenvolvimento e cabe aos adultos a responsabilidade de educá-las”, diz.

A exemplo da postura adotada por Vivian, determinar limites e orientar as crianças sobre a importância de se cultivar valores é essencial na hora de educar os filhos, aponta a psicóloga.

“Atualmente, a infância, que é uma etapa fundamental no processo de desenvolvimento humano, sofre modificações influenciadas por fatores da própria modernidade, como alimentação e avanços tecnológicos. As meninas estão menstruando mais cedo e o processo de entrada na adolescência é acelerado”, diz Luciana.

Além disso, destaca Luciana, a mídia contribui para que as crianças apresentem comportamentos precoces, como a erotização. “É necessário que os pais se conscientizem de que cada etapa do desenvolvimento é fundamental para seu filho e ela deve ser respeitada. Queimá-las é prejudicial biologicamente e emocionalmente”, diz.

Valéria concorda com a psicóloga. Segundo ela, diferentemente de décadas anteriores, as meninas estão amadurecendo muito rápido – o que não significa que elas devam perder a infância, fase primordial em seu crescimento.

Para isso, Valéria estimula a filha Nathália a brincar de casinha com suas bonecas. “Ela adora cuidar de suas bonecas, escolher roupinhas para elas, cobrir, colocar no carrinho”, diz.

O mesmo comportamento é adotado por Vivian. “A Tainã tem atitudes próprias da idade. Ela adora colocar fantasias, fazer teatrinhos e brincar de bonecas. Isso é muito importante”, enfatiza.

Além da orientação em casa, apostar em outras alternativas que ajudam no desenvolvimento infantil podem contribuir para a formação de valores. Essa atitude é adotada pela despachante comercial Vera Lúcia Gonçalves dos Santos Guerreiro, mãe de Beatriz dos Santos Guerreiro, 8 anos. “Coloquei-a em um grupo de escoteiros para que ela aprenda questões relacionadas a disciplina”, diz. “Isso ajuda a impor limites”, complementa.

Comentários

Comentários