“O Barbieri é muito otimista. Se a situação continuar como está, calculo que em dez anos faltará água potável em Bauru”. Este é o comentário de um dos maiores especialistas em rios e córregos de Bauru, David Geraldo Pompei, coordenador de projetos da Organização Não-Governamental (ONG) Fórum Pró-Batalha, sobre a declaração do secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Barbieri, que dá prazo de 20 anos para a cidade sofrer um colapso no abastecimento. De acordo com Pompei, o principal rio que abastece Bauru e dá nome à ONG, o rio Batalha, está no limite de fornecimento de água apropriada para consumo humano.
De acordo com o secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli De Marche, hoje 98% do esgoto de Bauru não recebe tratamento, apesar da determinação do Ministério Público, através do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – que estabeleceu prazo para que todo o esgoto da cidade fosse tratado – ter vencido em junho de 2004.
O TAC prevê multa de R$ 12 mil por dia para o município após o vencimento do prazo. Segundo o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, o prazo realmente não foi cumprido pelas administrações anteriores e a dívida acumulada está na casa dos R$ 2 milhões. “O projeto de interceptores de esgoto teve início em 1993. Desde esta data, foram construídos 20 quilômetros de interceptores. 50% deste total foi feito apenas em 2005, ou seja, estamos reassumindo um compromisso com o Ministério Público de trabalhar visando o tratamento de esgoto na cidade, pois entendemos que esta medida é de fundamental importância para a sociedade”, explica.
De acordo com Rezende, faltam ainda cerca de 25 quilômetros de interceptores para serem instalados. O valor do material e da instalação dos interceptores é estimada em R$ 20 milhões, e a estação de tratamento de esgoto gira em torno de R$ 50 milhões. “O DAE não tem estes recursos. A melhor solução seria a aprovação da taxa de esgoto”, afirma.