Ao todo, 170 quilos de maconha foram apreendidos na região, numa ação da Polícia Militar (PM) realizada no final de semana. A fiscalização em pontos previamente estabelecidos, apoiada pelo Policiamento Rodoviário, está entre as medidas preventivas desencadeadas em função dos atentados contra bases da PM ocorridos em São Paulo. Na ocasião, um PM morreu e um ficou gravemente ferido.
Parte da droga foi recolhida em Penápolis (a 150 quilômetros de Bauru), onde foram localizados 69 quilos de maconha. O restante, 101 quilos, foram encontrados em Marabá Paulista (a 500 quilômetros da cidade). De acordo com o comandante interino do 2.º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, major Benedito Roberto Meira, outros 6,6 quilos de entorpecentes também foram recolhidos (entre cocaína e maconha).
No total, foram registradas 21 ocorrências de tráfico de drogas e uma de contrabando, na região de Araçatuba e Presidente Prudente. Os flagrantes foram possíveis graças à operação desencadeada próximo aos presídios. A fiscalização focou ônibus e automóveis de familiares de detentos, visitados no final de semana.
Apesar do trabalho, permanece redobrada a atenção nas bases de Policiamento Rodoviário. As mais próximas como Bauru e Agudos continuam sinalizadas com cones, mas eles não chegam a comprometer uma das pistas da rodovia Marechal Rondon. A medida foi adotada para impedir congestionamentos e eventuais acidentes, informa Meira.
Do modo como está, a conificação pode ser identificada de longe pelos motoristas. Também foi mantida a sinalização nas seis bases comunitárias de Bauru, embora nenhuma ameaça de ataque tenha sido registrada em Bauru ou em qualquer outra cidade do Interior. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Comando da PM, em São Paulo.
Denúncia
Foi reiterada ainda pelo o major Pedro Batista Lamoso, comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI). Segundo ele, o único incidente registrado data de sexta-feira à noite, quando um trote foi passado à Base Comunitária de Policiamento Sul.
Cabe a Lamoso a manutenção das medidas de cautela adotadas em Bauru. Por razões de segurança, ele preferiu não divulgar quando serão suspensas. Já na Capital, 52 denúncias sobre os atentados contra bases policiais foram registradas pelo Disque-Denúncia, mecanismo criado e mantido pelo Instituto São Paulo Contra a Violência, organização não-governamental (ONG) formada por entidades empresariais.
Segundo a assessoria de imprensa da entidade, o acesso ao Disque-Denúncia no Estado de São Paulo, que garante o anonimato, é pelo número 181, com ligação gratuita.
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Trote
Enquanto a polícia estuda as motivações dos ataques, um rapaz de Bauru, com idade entre 18 e 19 anos, não levou o assunto a sério. Na noite de sexta-feira, ele ligou para a Base Comunitária Sul de um orelhão situado na avenida Getúlio Vargas para dizer que o local seria metralhado. A PM identificou o trote quase simultaneamente. Por pouco não conseguiu flagrá-lo.
“A PM tem um sistema que identifica chamadas. Com ele, a incidência de trotes caiu de cerca de 30% para menos de 5%. Localizamos o telefone (público). Quem estava por ali disse que foi um rapaz. Ele sempre está por lá”, conta major Pedro Batista Lamoso, comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI).
Se fosse flagrado, poderia responder por falsa comunicação de crime, delito cuja pena é de um a seis meses de detenção, informa o delegado do 3.º Distrito Policial, Ismael Cavalieri. Em São Paulo, são freqüentes casos dessa natureza. A assessoria de imprensa do Comando da PM não tem números fechados, mas informa que os mais comuns denunciam policiais baleados ou bases atacadas.
No geral, 30% das ligações são trotes, acrescenta o órgão. O delito prejudica a apuração da PM, que estuda a possibilidade dos ataques estarem relacionados com uma “diferença pessoal” ou uma demonstração de força por parte da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A Secretaria de Segurança Pública enfrentou o mesmo problema em 2003.