Internacional

Bachelet recebe Lagos e inicia transição

Por Carolina Villa-Nova | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Santiago - A presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, deu início ontem ao processo de transição entre o atual governo, de Ricardo Lagos, e sua administração, que assume em 11 de março. Depois de tomar um café da manhã, em sua casa, com Lagos, Bachelet - que se declara agnóstica - recebeu representantes católicos (89% da população) e protestantes (11%). À tarde, reuniu-se com líderes dos principais partidos políticos para negociar a formação de seu gabinete.

Em seu discurso da vitória, na noite de anteontem, Bachelet afirmou ter “uma agenda ambiciosa, porque quatro anos é muito pouco”. Bachelet tem pressa por pelo menos dois motivos. Precisa dar sua marca própria ao que vai ser seu governo - provavelmente com políticas públicas de inclusão e proteção social - e precisa desfazer a imagem construída pelos seus adversários sobre sua pouca capacidade para governar.

Ela deve anunciar em breve seu gabinete, a começar pelo ministro do Interior, tentando cumprir dois objetivos definidos por ela própria: que metade seja de mulheres e que “ninguém repita o mesmo prato”, ou seja, um gabinete renovado. Disse ainda que busca uma combinação entre “rostos novos e experiência”.

“Compatíveis”

Bachelet afirmou ontem que sua política externa irá priorizar as relações com a América Latina e disse ver “compatibilidade” entre Alca e Mercosul. Em sua primeira entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros após sua eleição, ela afirmou ainda que tem “grande apreço” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que espera manter “as melhores relações” com o Brasil. “Minha política exterior vai ter uma grande prioridade pela América Latina, e vou fazer todo o possível para cada dia ir construindo uma maior integração”, afirmou Bachelet.

O Chile tem problemas históricos com o Peru e a Bolívia. Com o primeiro, por divergências sobre o que seriam os limites marítimos de cada um; com o segundo, pela ausência de uma saída ao mar soberana para os bolivianos. Já com a Argentina, o Chile resolveu disputas territoriais nos anos 90.

A presidente eleita defendeu ainda avanços na negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O Chile, que tem acordos de livre comércio com os EUA, é associado do Mercosul, bloco formado por Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.

Em novembro, a Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, terminou em um impasse: enquanto os EUA, o Canadá e o México defenderam a continuação das negociações sobre a Alca, Mercosul e Venezuela sustentaram que não havia condições para seguir negociando.

Tendo em conta as realidades diferentes dos países, sustentou Bachelet, “o que o Chile vem defendendo é a possibilidade de estabelecer um acordo básico, uma Alca básica, que seja o mesmo para todos e permita que todos os países que estejam em condições optem por isso e que o resto vá avançando na medida em que possa”. Bachelet negou ainda que o Chile esteja impulsionando uma corrida armamentista na região.

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