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De igual para igual


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As drogas ganharam espaço no noticiário nacional mais uma vez, quando 28 jovens foram presos em flagrante consumindo entorpecentes em uma festa de música eletrônica, realizada na cidade do Rio de Janeiro. Esses encontros ou raves são cada vez mais populares, especialmente entre os jovens dos grandes centros. A notícia mereceu destaque na imprensa pela forma de operação da polícia: agentes disfarçados se infiltraram na festa e filmaram grupos se drogando.

Fatos tristes como esse levam à seguinte reflexão: por que jovens usam drogas em um ambiente no qual, a princípio, deveriam se divertir encontrando amigos, ouvindo música e dançado? Será que diversão virou sinônimo de consumo de drogas? Substituir a realidade imediata por ilusão temporária, provocada por substâncias químicas? Buscando resposta para essas inquietações, o CIEE decidiu ouvir os jovens. As respostas esclarecem algumas razões para o crescente consumo de drogas entre os jovens. Para 25% deles, o motivo são a curiosidade e a vontade de vivenciar novas experiências. Uma parcela de 22% admite que, na raiz do problema, está o desejo de fugir dos problemas pessoais. Outros, ainda, apontam influência dos amigos, problemas familiares, diversão. Um dado, entretanto, chama a atenção: somente 3% afirmam que a principal razão para o consumo de drogas é a falta de informação – o que desmonta um dos argumentos usados por pais ou educadores desavisados ou receosos de enfrentar o problema que está cada vez mais graves nas escolas e outros ambientes predominantemente juvenis. Ainda que a repressão seja indispensável para coibir a ação dos narcotraficantes, esse pequeno percentual parece indicar que as campanhas preventivas devem utilizar focos e formas mais eficientes para sensibilizar os jovens. Diante da dimensão do problema, não bastam somente ações pontuais, com duração de uma temporada. São necessárias estratégias mais fortes para que o jovem compreenda a real dimensão dos efeitos das drogas. E isso é possível, como o CIEE vem comprovando desde 1997, quando começou a promover campanhas antidrogas nas escolas superiores, em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). O alvo principal é o álcool, droga lícita consumida intensamente por 30% de mulheres e 40% de homens universitários. Em 2005, as duas organizações inovaram com uma estratégia até então inédita: estudantes de Medicina, contratados como estagiários pelo CIEE e treinados por médicos especializados na questão, são os palestrantes nessas campanhas assistidas por universitários. São jovens conversando com jovens, o que possibilita um diálogo de igual para igual.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente do CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp

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