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Falta vaga em creche, sobra em Emei

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O ano começa com uma velha contradição. Num extremo, sobram vagas nas escolas públicas municipais que atendem apenas meio período - ao todo, ainda podem ser feitas 1.120 matrículas nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei). No ponto contrário, permanecem na lista de espera 1.828 crianças que aguardam oportunidade de serem acolhidas o dia inteiro nas antigas creches, atualmente denominadas como Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii).

O situação surpreende a dona de casa Suelen Ramiro Cotrin, mãe de um bebê de 8 meses. O espanto não é pelo tempo de aguardo até fazer a matrícula do filho Kevin, mas pelo número de vagas remanescentes nas Emeis. Elas representam 61% da relação de nomes em que ela se inscreveu para matricular o filho num berçário. O cálculo exclui o déficit somado pela 26 creches conveniadas à prefeitura.

“Enquanto eu não conseguir, não tenho como trabalhar. Sei que é demorado, já me avisaram. Como são muitas vagas (sobrando e faltando) parece estranho. Deve ter uma solução”, comenta. No entanto, a saída para a equação não é óbvia, nem parece ser imediata.

De acordo com a secretária municipal da Educação, Ana Maria Daibem, apesar das sobras, não existem salas ociosas nas Emeis. No final do ano passado, a pasta desenvolveu estudo que resultou no fechamento de algumas classes (com demanda mínima) e na abertura de outras, em pontos necessários. Ela explica que as vagas ainda disponíveis nas Emeis são pontuais, em turmas espalhadas pelas cidade.

Transferência

Daibem também descarta a possibilidade sugerida por Suelen de aproveitar os prédios das Emeis onde sobram maior quantidade de vagas para instalar salas com atendimento em período integral (Emeii). “A gente está trabalhando num projeto de educação infantil que não seja um depósito (de crianças). O problema não é só a vaga, mas os recursos humanos e de estrutura física”, informa a secretária.

Na pré-escola, por exemplo, um professor é capaz de atender por 25 crianças. No berçário, deve haver um profissional para cada seis bebês. Nas Emeiis, as crianças tomam banho, dormem, fazem várias refeições. Não compensariam os custos para transferir tal estrutura ao prédio de uma Emei.

Mesmo assim, o promotor da Vara da Infância e Juventude, Lucas Pimentel, reitera a necessidade das crianças que aguardam na lista de espera serem atendidas, mesmo que para isso seja adotas decisões administrativas. Ele não dispõe de levantamento atualizado referente ao total de nomes aguardando vaga nas creches.

A estatística oficial está em fase final de atualização, trabalho executado pela Secretaria Municipal de Educação. Por enquanto, tanto a pasta quanto o JC trabalham com índices levantados no ano passado.

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