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Mais em cima do muro impossível


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Nos próximos dias 1º e 29 de outubro serão mais uma vez decididos os rumos políticos do país. As eleições poderão significar renovação para o cenário político nacional, mas as esperadas reformas políticas estão longe de serem implementadas. Há menos de nove meses do pleito, a esperança de que as reformas debatidas, prometidas e esperadas aconteçam são mínimas, sobretudo diante da vedação de aplicação imediata, imposta pelo atual artigo 16 da Constituição Federal.

Distorção na representação dos Estados Federados - superlativa nos pequenos estados currais, digo, rurais e inferiorizada nos grandes centros de decisão econômica do país -; o questionável voto por legenda; a promiscuidade das alianças políticas; o financiamento público de campanhas eleitorais: esses são alguns dos problemas que entravam o desenvolvimento da Democracia brasileira e alimenta um ciclo de corrupção e endividamento do Estado, iniciado bem antes da promulgação da Constituição de 1988.

Porém, enquanto as reformas não chegam, nós, eleitores, podemos dar início a reformas mais profundas, pautadas pela reflexão e pelo exercício consciente do voto. Ao invés de promessas de campanha, trilhas sonoras de programas eleitorais e aparência de bom moço (ou moça), devemos adotar como parâmetros de escolha valores mais sólidos, como o comprometimento com os eleitores, a convicção, e a honestidade, por exemplo.

Falemos de Comprometimento. Do futuro presidente da República, dos Governadores, Deputados e Senadores, espera-se que cumpram o que prometeram, que defendam os interesses e a parcela da população que representam e, acima de tudo, que respeitem e apreciem o voto de confiança que conquistaram.

Vejamos o caso da escolha entre os pré-candidatos à presidência da República pelo PSDB. De um lado, temos dois Governadores estaduais e um Deputado Federal que, caso venham a ocupar o Palácio do Planalto, terão cumprido no mínimo 75 % (setenta e cinco por cento) dos respectivos mandatos e, de outro, o ex-ministro da Saúde e atual Prefeito de São Paulo José Serra, que mal atingiu os 50% de exercício do mandato para governar a capital do Estado.

O ex-ministro, derrotado na última disputa presidencial, reabilitou-se politicamente em 2.004, quando levou o PSDB pela primeira vez à Prefeitura de São Paulo. Naquela oportunidade, os eleitores da maior e mais importante cidade do país se curvaram ante os argumentos do Sr. José Serra, auxiliado pelos desacertos da administração municipal petista.

Ora, caso venha mesmo a assumir o papel de pré-candidato, José Serra terá faltado com o comprometimento que se espera dos bons políticos. É inadmissível que um candidato se utilize dos cargos que venha a ocupar única e exclusivamente como trampolim para os subseqüentes, ainda mais no caso do Prefeito de São Paulo que, questionado sobre a possível “ponte aérea” da prefeitura para a presidência ainda em campanha, prometeu expressamente cumprir seu mandato íntegra e permanecer na prefeitura até 2.008 caso fosse eleito.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao próprio PSDB. Dentre os candidatos disponíveis, espera-se que a ética e a lealdade prevaleçam sobre as parciais veiculadas pelos institutos de pesquisa, acerca da possibilidade de cada tucano derrotar o atual presidente. Mais em cima do muro impossível, parece que o partido vai optar pelas pesquisas. Quem abandona seus eleitores uma vez...

E falando em presidência e do atual ocupante do cargo mais alto do Executivo, outra marca de caráter essencial pode ser invocada: a convicção. Essa reflexão vai ficar para uma outra oportunidade, mas deixo desde já a pergunta: o que se pode esperar de um candidato e um partido que combateram vorazmente a aprovação de uma mudança política - Reeleição - e, na primeira oportunidade que têm, pretendem trair a convicção defendida diante do prêmio de mais quatro anos no palácio do planalto?

Boa sorte para todos nós. E dá-lhe reforma!

O autor, Marcelo Specian Zabotini, é advogado - e-mail: mzabotini@basilio.adv.br

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