Nacional

Lula diz que viajará pelo País até junho

Por Luciana Brafman e Raphael Gomide | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio de Janeiro - Em clima de campanha e inaugurações na Baixada Fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só decidirá se será candidato em junho, porque até lá vai governar e viajar pelo País sem restrições legais. “Por que eu teria que deixar de governar para entrar em campanha? Eu vou governar o País. Tenho meio ano ainda para andar o país sem a proibição da lei”, disse Lula em Xerém, distrito de Duque de Caxias.

Com a afirmação de que vai viajar muito pelo País nos próximos seis meses, o presidente respondeu aos críticos de sua intensa agenda de inaugurações e comparecimento a eventos nos mais diversos Estados. Ele disse que não aceita pressões para que deixe de agir dessa forma. “As pessoas que estão incomodadas com as minhas viagens, tenham paciência, porque eu vou viajar muito mais”, afirmou a jornalistas após visita ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Lá ele conheceu dois laboratórios e recebeu uma medalha comemorativa.

Lula discursou para cerca de 300 pessoas, a maioria funcionários do Inmetro, e anunciou a criação de um plano de cargos e salários. De lá, partiu para o Acre, onde estava prevista a inauguração de uma ponte que liga o Brasil ao Peru, e do programa Luz Para Todos num assentamento. “Por que eu não iria inaugurar? Primeiro porque eu não sou candidato. Não estou candidato. Só tenho que decidir no momento certo. Só tem convenção no mês de junho”, ao explicar a viagem ao Acre.

Lula disse também que os adversários, já em campanha, gostariam que ficasse trancado dentro do gabinete e que não colhesse os frutos plantados pelo governo. “Nós plantamos um pomar e agora estamos colhendo os frutos.” Inauguração em 2008 Pouco antes, em Queimados, também na Baixada, em clima ainda maior de campanha para reeleição, Lula participou de evento para 10 mil pessoas e liberou R$ 41,5 milhões para um hospital abandonado havia 14 anos, que está no esqueleto e só vai ficar pronto daqui a pelo menos dois anos e três meses. A estimativa é da Prefeitura de Queimados, parceira no convênio.

O prédio do futuro hospital está em condições precárias, sem as paredes, e cheio de pixações. Um grande painel de cerca de 20 m x 30 m cobria uma lateral do edifício, a que ficava atrás do palco onde Lula estava, obstruindo a visão da precariedade da construção. “Um sonho virando realidade. Hospital Geral de Queimados atendendo a toda a Baixada”, dizia o painel.

Apesar de ter afirmado que a obra poderia demorar um pouco, por causa de licitação, Lula prometeu ir à inauguração. Se não concorrer à reeleição -assunto que tem evitado- nem for reeleito, porém, o presidente já não estará no cargo em 2008. “É lógico que vocês compreendem que muitas vezes essas coisas demoram um pouco. O dinheiro do hospital já está aqui com o convênio. Agora é preciso definir o projeto corretamente, depois fazer a licitação, e sempre leva um tempo para fazer. Mas de uma coisa vocês estejam certos: que eu quero vir aqui participar da inauguração deste hospital de Queimados”.

Além do dinheiro para o hospital, cuja obra se iniciou em 1991 -foi interrompida e embargada diversas vezes-, o governo federal liberou ontem mais R$ 16 milhões para a reforma e ampliação de 17 unidades de atendimento pré-hospitalar em 11 municípios da Baixada Fluminense. O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, participou do evento ao lado de prefeitos da região, dos senadores do Rio Roberto Saturnino (PT) e Marcelo Crivella (PRB) e de deputados federais e estaduais.

O presidente não quis comentar os resultados de pesquisa eleitoral divulgada pelo Ibope, em que vence seus adversários em seis simulações. “Não me preocupo com pesquisa. Faz muitos anos que não falo de pesquisa. Nem quando estou bem nem quando estou mal. Pesquisa é uma fotografia que você tira.” Lula estava acompanhado do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Lula disse que o Brasil obteve soberania em relação ao órgão: “Vamos dizer ao FMI que não precisamos do dinheiro deles e vamos devolver esse dinheiro para eles. Agora conquistamos a independência, a soberania de verdade. Agora cada um de vocês pode bater no peito e dizer: o Brasil não tem mais de viajar mendigando empréstimo do FMI ou quem quer que seja.” Lula afirmou que a economia vai crescer e gerar empregos, com ênfase para obras de infra-estrutura.

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Verticalização

Brasília - Sem tocar diretamente no assunto reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou anteontem em jantar com a bancada de senadores do PMDB que está “preparado para debater com qualquer um” e, de olho no apoio dos peemedebistas, prometeu se empenhar no Congresso para “explodir” a verticalização nas alianças eleitorais.

No encontro, Lula comparou números de sua gestão com a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), mas disse que só anunciará seu futuro político em junho. O Palácio do Planalto pretende agendar reuniões como a de anteontem com todos os partidos da base aliada.

No encontro de anteontem, Lula disse que seu governo está “falhando na comunicação” com a base, com a população e até entre os próprios ministérios. Segundo um senador, o presidente disse que os aliados vão ficar surpresos ao verem os números.

Folhapress

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