A criação da cooperativa de reciclagem de lixo deve trazer inúmeros benefícios para a população, uma vez que a falta de coleta seletiva organizada e abrangente gera diversos problemas sociais, de saúde pública e ambientais.
Os problemas de saúde relacionados à coleta desorganizada estão diretamente relacionados ao fato de a grande maioria dos catadores trabalhar sem nenhum equipamento de segurança - ficando expostos a contaminações e ferimentos - e à maneira como os materiais são armazenados. O secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Barbieri, explica que muitos catadores guardam o lixo reciclável no quintal da própria casa. “Estes ambientes são propícios para a procriação de escorpiões, caramujos, baratas e outros animais nocivos”, afirma.
Apesar de todos estes problemas ocasionados pela coleta desorganizada, o maior prejudicado ainda é o meio ambiente e, conseqüentemente, as pessoas que nele habitam, ou seja, nós mesmos.
Tudo começa pelo fato de que a maioria das pessoas não separa o lixo orgânico do lixo reciclável. Assim, boa parte do que poderia ser reciclado - gerando renda para a população carente - vai para os aterros sanitários. Por conseqüência, estes locais são preenchidos rapidamente e novos aterros precisam ser construídos, acumulando lixo em outras áreas. Além do problema ambiental, a prefeitura precisa aplicar mais recursos. Como boa parte dos recursos da prefeitura vem dos contribuintes, quem acaba pagando é a população. Enfim, pelo simples ato de não separar o lixo, prejudicamos o meio ambiente e pagamos mais.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, hoje apenas 1% do lixo do bauruense é reciclado. “Estimamos que os materiais recicláveis representem quase 40% do lixo doméstico. Ou seja, reciclamos muito pouco. E a falta de participação da população é, sem dúvida, o maior problema”, salienta.
Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) sobre a coleta seletiva no ano passado mostram que a média de materiais coletados para reciclagem em um mês foi de 46 toneladas. Segundo o chefe de Gabinete da prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, que acompanha o projeto de organização e ampliação da coleta seletiva, se conseguíssemos reciclar 30% do lixo que vai para os aterros, mais de 90 toneladas de materiais seriam coletados por dia. Em um mês, quase 2 mil toneladas de objetos recicláveis deixaram de ir para os aterros, o que representaria uma economia de R$ 180 mil/ mês para os cofres públicos.
Outra problemática advinda da falta de participação é o fato de que muitos catadores pegam do lixo apenas os materiais recicláveis e jogam o restante em terrenos baldios ou vias públicas. Este fato também causa o entupimento das galerias de escoamento e facilita a incidência de alagamentos e enchentes. Canalli reforça a importância da participação de todos. “Precisamos entender que fazemos parte de uma sociedade e devemos atuar para melhorar o meio ambiente, ajudar as pessoas carentes e minimizar os gastos do município com algo que, ao invés de prejuízo, pode trazer benefícios a todos”.