A frase do catador Rodrigo Pereira Nunes ilustra bem a dificuldade de sobreviver da coleta e venda de materiais recicláveis. Além do pequeno rendimento, o trabalho pesado, feito debaixo de sol ou chuva, de domingo a domingo, ainda gera preconceitos e olhares atravessados. “Os motoristas buzinam, gritam que estou atrapalhando, algumas pessoas têm receio de passar perto de mim, mas não ligo. Estou tentando sustentar minha família dignamente”, afirma.
Nunes começou a coletar materiais recicláveis há cerca de nove meses por conseqüência da falta de oportunidade de emprego. Os bicos que fazia foram diminuindo e ele viu no recicláveis a única solução de levar comida para casa. “Um dia fui pedir dinheiro emprestado para a minha mãe, que já era catadora, e ela me perguntou por que eu não fazia o mesmo. Disse que jamais faria isso, porque tinha vergonha”, conta.
Sem dinheiro, sem emprego e sem opções. Com esposa e filha para sustentar, Nunes construiu um carrinho e foi à luta.
Maria do Carmo Souza de Andrade também vai à luta todos os dias. Com 62 anos de idade, oito como catadora, ela diz que já está muito cansada, mas não pode parar, pois também precisa sustentar sua família com o mínimo que ganha com a venda dos materiais recicláveis. “Acordo às 5 da manhã, tomo café e vou trabalhar. Nem lembro mais quando foi o último final de semana que pude descansar. Feriado? Não sei o que é isso”.