Preocupado com o bem-estar dos moradores, com a preservação do meio ambiente e com o gasto financeiro excessivo com sacos de lixo, o síndico do Condomínio Vila Inglesa, Jairo Cazaça, resolveu implantar o sistema de coleta seletiva no conjunto de 24 prédios localizado na Vila Antártica. Auxiliado pelo Instituto Ambiental Vidágua, que fez o trabalho de educação e conscientização ambiental através de palestras e teatro, Cazaça distribuiu panfletos explicativos e comprou tambores para que os moradores pudessem separar o lixo reciclável do lixo orgânico.
“Antes da implantação da reciclagem, gastávamos muito com sacos de lixo e os tambores chegavam a vazar. Além disso, era muito material que poderia ser reaproveitado indo para o lixão. Hoje temos a participação de quase todos os moradores”, comemora.
A coleta seletiva no condomínio Vila Inglesa completa um ano de implantação este mês com saldo 100% positivo. De acordo com Cazaça, foram gastos R$ 2 mil com a compra dos tambores, mas como o material reciclável é vendido para uma empresa, o lucro já está próximo dos R$ 5 mil. “Arrecadamos cerca de R$ 400,00 por mês com a venda dos recicláveis. Apesar de o lucro ser pequeno, ele é secundário, o importante é que apenas em 2005 o nosso condomínio deixou de despejar 21 toneladas de material reciclável nos aterros da cidade”, ressalta.
Empolgado com a idéia de preservação aliada à economia do condomínio, o síndico implantou, novamente com o auxílio do Vidágua, outra medida em meados do ano passado, a coleta de óleo culinário. Segundo Cazaça, cada morador coloca seu óleo em uma garrafa pet e deixa ao lado do tambor de lixo reciclável. Este óleo é coletado e depositado em uma central. Mensalmente uma empresa de reciclagem de óleo faz a coleta do material armazenado e troca por produtos de limpeza. “Além de o óleo corroer e entupir a parte hidráulica do imóvel, ainda contamina os rios e córregos da cidade. As pessoas precisam entender que ajudar o meio ambiente é melhorar a qualidade de vida delas mesmas. Pode ser um clichê, mas se cada um fizer a sua parte, o mundo, nossa cidade e nosso bairro podem ser muito melhores”, finaliza.
Cada um fazer a sua parte é justamente o problema que o síndico do Residencial Parque Flamboyants, Paulo Roberto do Nascimento, enfrenta desde de que a associação de moradores do condomínio resolveu implantar a coleta seletiva. “Este é um trabalho muito importante em diversos aspectos, mas a maioria das pessoas não faz sua parte. Falta consciência do que é viver em sociedade”, afirma.
Mesmo com grande parte dos moradores não contribuindo com a coleta, Nascimento estima que o condomínio vende quase três toneladas de material reciclável por mês, o que gera uma arrecadação de cerca de R$ 600,00. “Este dinheiro é revertido para o pagamento de despesas do condomínio. Se mais pessoas contribuíssem, outras melhorias poderiam ser realizadas”, diz.
De acordo com a bióloga do Vidágua, Fernanda Ribeiro de Franco, qualquer condomínio ou empresa interessada em implantar o sistema de coleta seletiva pode procurar a ONG. “Fazemos o trabalho de educação ambiental dos moradores e funcionários e auxiliamos nos contatos com fábricas de reciclagem que possam comprar os materiais coletados”, ressalta.
• Serviço
O Instituto Ambiental Vidágua fica na avenida Cruzeiro do Sul 26-40. Outras informações pelo telefone 3281-2633.
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Secos e molhados
O ideal é que o lixo reciclável seja separado entre metal, plástico, papel e vidro. No entanto, o poder público e os ambientalistas compreenderam que, num primeiro momento, a coleta seletiva precisava ser simplificada para conseguir ampliar as adesões. Assim, hoje se fala em separar o lixo seco do lixo molhado. O lixo seco é todo material reciclável devidamente limpo e o lixo molhado ou úmido é o lixo orgânico, ou seja, restos de alimentos, plantas e embalagens de papel sujas que não têm condição de serem recicladas.
Além da conscientização da necessidade de reciclar, é preciso também ter um pouco de atenção, pois algumas embalagens aparentemente recicláveis podem enganar. Um bom exemplo são as embalagens de biscoitos ou salgadinhos que têm a parte interna laminada. Estas não são recicladas.
De acordo com o vendedor de materiais recicláveis, Joaquim Leite Brito, há inclusive embalagens de garrafas pet que não podem ser recicladas, pois são pintadas com tinta dourada ou prateada. “Os produtores pensam na beleza da embalagem, mas estão prejudicando nosso serviço”, protesta.