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Nadar é uma delícia, mas cuidado com o ouvido

Por Eduardo Vallin | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Ao procurar piscinas e praias para se refrescar sem tomar certos cuidados, o banhista corre o risco de contrair uma doença que aparece principalmente no verão: a otite externa aguda, também chamada de otite do nadador. Trata-se de uma inflamação na pele do canal auditivo, geralmente desencadeada por contato com água contaminada, que causa dor e pontadas. Esse tipo de otite é mais comum no verão.

As dores e pontadas são fortes e podem surgir em pouco tempo: até 12 horas após o contato com a água. Nos primeiros sinais da doença, o recomendado é correr a um otorrinolaringologista para saber qual o tratamento adequado - geralmente limpeza do ouvido, antibióticos, antifúngicos e analgésicos para a dor.

Mas é possível aproveitar o mar e a piscina sem correr riscos. Segundo o otorrinolaringologista Carlos Alberto Herrerias de Campos, da Santa Casa, a primeira recomendação - em qualquer estação do ano - é ter cuidado ao limpar o ouvido. A cera (cerume) nada mais é do que uma proteção natural. Ao removê-la, seja com haste flexível de algodão, grampo ou qualquer outro objeto, o local fica propício a inflamações.

Campos diz que a membrana do ouvido funciona como uma espécie de esteira que manda para fora a sujeira. Portanto, nenhum objeto deve ser colocado no ouvido. A limpeza deve ser feita até onde o dedo e o sabonete alcançam. Para secar, toalha apenas. Se houver excesso de cera, afirma o médico da Santa Casa, só um profissional pode removê-la com segurança. “São vários os casos de perfuração de tímpano por causa do uso das hastes”, diz.

Antonio Douglas Menon, do Hospital Sírio-Libanês, alerta para o fato de a otite se desenvolver quase que imediatamente, em período de 12 a 24 horas. Ele diz que, por ser parada, a água da piscina tende a causar mais otite do que a do mar. A melhor prevenção, afirma, é mesmo não remover o cerume. Os mais propensos a ter otite - geralmente pessoas mais claras e com pele oleosa - devem usar toucas para nadar ou recorrer a tampões. “Mas os tampões são descartáveis. Usado várias vezes, vira fonte de contaminação”, conta.

Para tirar água do ouvido, recomenda o médico do Sírio, deve-se deixar um algodão embebido em álcool, por cerca de um minuto no pavilhão da orelha, que absorve a água. Ele desaconselha pingar álcool no ouvido, pois se houver inflamação pode desencadear uma labirintite.

Coceira

Coceira no ouvido não é normal: é sinal que há condição propícia para a instalação de microorganismos e, de quebra, a otite. Nesses casos, o otorrinolaringologista também deve ser consultado o mais rápido possível. O otorrino Wilson Ayres, do Hospital São Luiz, reforça a idéia de que a remoção da cera é prejudicial. “O brasileiro tem hábito não só de usar hastes flexíveis, como tampa de caneta, chaves e unhas, que costumam ser bastante contaminadas.”

Além disso, afirma Ayres, a umidade deve ser combatida, pois propicia o desenvolvimento de fungos. Além da do nadador, há outros tipos de otite, como a que atinge bebês em meses de inverno, mas sem ligação com água contaminada. Audição Uma inflamação de ouvido comprometeu a audição de Jaqueline Lopes da Silva Bernardes, 20 anos.

O problema aconteceu quando ela tinha 7 anos e, desde então, ela usa aparelho auditivo. Tudo começou com coceira e dores, que a obrigaram a se afastar da escola. “A dor era insuportável”, lembra. Ela teve de ser operada e passou a usar a prótese. Ela afirma que, mesmo com as próteses, não deixa de ir à praia ou piscina, mas periodicamente passa por avaliações médicas.

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Doença é mais comum no verão

As otites são inflamações que podem ser consideradas como doenças sazonais, pois são mais freqüentes em determinadas épocas do ano. Para entender como ocorrem é necessário uma breve explicação anatômica da orelha.

Dividimos de maneira didática a orelha em três segmentos: parte externa, média e interna. Vamos nos deter nas alterações mais freqüentes das partes externa e média. A parte externa é a mais afetada no verão devido à exposição freqüente a hastes flexíveis, água, xampus, cremes e tinturas de cabelo, que retiram a camada de cerume que protege a pele da orelha externa (porção entre o pavilhão auricular e a membrana timpânica), expondo-a ao ressecamento e favorecendo as infecções.

Para evitar problemas, a orientação é nadar com protetor auricular, não utilizar as hastes e não pingar álcool ou qualquer medicamento na cavidade do ouvido sem a orientação de seu médico. A porção média sofre principalmente no inverno, quando os problemas respiratórios são mais intensos, causando aumento de secreção nasal e contaminação da orelha média através da tuba auditiva (trompa de Eustáquio, canal que liga o ouvido ao nariz).

A infecção provoca dor e diminuição da audição. Para evitar essa otite é necessário manter as vias aéreas (nariz) limpas, procurando tratamento nos primeiros sintomas de secreção nasal. Ao sentir qualquer alteração auditiva ou dor, procure um otorrinolaringologista, pois assim poderá receber as orientações necessárias para seu tratamento.

Folhapress

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