O ano de 2006 é mais um daqueles anos em que teremos Carnaval, Copa do Mundo e Eleições para torná-lo improdutivo da mesma forma que o foram 2002, 1998, 1994..., ou seja, o país tenta começar o ano em março após a folia de Momo mas entra em ritmo de Copa do Mundo até Junho e Julho, após o apito final do árbitro na grande festa do futebol na Alemanha começam os preparativos para uma eleição que tentará renovar a Câmara Federal, Assembléias Legislativas, uma vaga para o Senado Federal, além de novos Governadores e da vaga para a Presidência da República.
Sobram os meses de novembro e dezembro para que o País possa crescer, se desenvolver, aprovar seus projetos importantes, colher sua safra e se possível obter superávit nas suas contas. Lógico que esse calendário não vale para os trabalhadores com carteira assinada, para os da economia informal, para os estudantes, para os aposentados e demais pobres mortais que não estejam envolvidos com a política, o carnaval e o futebol.
Ao final de 2006 o INSS continuará sendo um órgão que mais parece ser inimigo do trabalhador do que seu prestador de serviços. Os Bancos continuaram ganhando oceanos de dinheiro às custas do nosso suor honesto e de uma política econômica perversa que favorece a especulação em detrimento do trabalho. Os salários dos professores, médicos do serviço público, bombeiros, policiais militares e civis e enfermeiros continuaram abaixo do que merecem, principalmente no Estado de São Paulo, onde um policial militar trabalha muito, mas recebe aquém de seu colega do norte do país.
Em 2006 continuaremos pagando a maior carga tributária do planeta se levarmos em conta o que nos é devolvido em serviços pelos nossos governantes. Claro que continuaremos a pagar impostos diretos e indiretos como a CPMF, essa excrescência criada por FHC e prorrogada por Lula, que jamais foi utilizada para o fim ao qual foi pensada. Além de impostos indecentes, como o tal CIDE, que nos rouba valiosos centavos transformados em bilhões toda vez que abastecemos nossa frota de veículos em todo território nacional e que não foi usado para a finalidade ao qual foi proposta, que é a manutenção das rodovias brasileiras.
Nossas estradas federais são o cartão postal de nossos governantes medíocres desde Sarney, passando por Collor, Itamar, FHC (8 anos) e Lula. São vinte anos de total abandono das nossas rodovias num país que jogou no lixo (FHC) suas ferrovias em privatizações mal explicadas à nação. Ninguém no mundo civilizado iria entender que um país fez opção clara pelo transporte rodoviário e depois deixa suas estradas esburacadas e sem condições de escoamento de safra, equipamentos e todo e qualquer tipo de carga.
O Brasil cresce por osmose pois se um dia formos depender de planejamento quadrienal, honestidade, visão de futuro, senso crítico, trabalho para o povo, pelo povo e com o povo, estaríamos abaixo do Haiti. Somos a pátria com o pior tipo de dirigentes políticos da Terra, superando até os péssimos generais que comandam as ditaduras das republiquetas africanas bancadas com dinheiro sujo de brancos europeus e americanos. Nossos políticos ao contrário são eleitos pelo voto popular defendendo plataformas e projetos sociais que jamais cumpriram e mesmo assim ainda são eleitos, reeleitos e até (pasmem) amados pelo povo e reverenciados em conversas animadas de botequins.
Aliás, resta-nos a cachaça, o futebol e uma tênue esperança de que nossa sociedade acorde para então começar a tirar de nossos políticos esse sorrisinho medíocre que carregam em suas faces. Somente quando nosso povo reagir e passar a exigir seus direitos poderemos começar a comemorar efetivamente os novos anos novos no Brasil. Até lá, fico com Rubens Paiva e desejo a todos um Feliz Ano Velho.
Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6