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Outra CPI?


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Aos olhos do grande público só pode parecer brincadeira esta de o presidente da Câmara resolver criar uma quase jurássica CPI compreendendo o período de 1990 a 2002, obviamente uma vendeta e ao mesmo tempo desperdício de dinheiro público e tempo, já que CPI alguma neste país resultou em conclusões (e punições) aproveitáveis. Na verdade, nua e crua, trata-se de uma vingança contra o arquiinimigo Fernando Henrique Cardoso e o restante do tucanato. Claro que para dar um ar de isenção, incluíram os governos Collor de Mello e Itamar Franco, logo ele, um encrenqueiro que todos os inquilinos do Planalto costumam fazer o possível para manter à distância.

A inútil Comissão Parlamentar de Inquérito vai ‘investigar’ as privatizações ocorridas nestes três governos, por risível que possa parecer, já que sequer as quatro últimas CPIs apresentaram algum resultado minimamente útil, a saber: CPI da Terra, do Mensalão, dos Bingos e dos Correios. Os indigitados representantes da nova CPI certamente terão gigantescas (ou a impossibilidade mesmo) de obter dados confiáveis de dezesseis anos passados. Aldo Rebello está com pressa, o requerimento desta CPI estava engavetado desde 2003, e agora diz que vai indicar os membros “amanhã mesmo”.

Não que não se deva investigar os tucanos, os pefelistas ou quem quer que seja, mas se nem o senador Eduardo Azeredo, envolvido em escândalo um pouco mais recente, de 1998, teve suas trampolinagens devidamente apuradas e mencionadas no relatório parcial do sempre gentilíssimo relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio, não haverá de ser a turma Collorida, ou a da República do Pão de Queijo itamarista que terão algumas eventuais ilicitudes apuradas, provadas, e, principalmente, punidas. Já alegar, como fez um parlamentar do PSDB, que a CPI pode trazer instabilidade à economia é uma piada; aliás, desgastada, pois os petistas disseram o mesmo em relação às três CPIs mais recentes. Afinal, caro leitor, pra quê gastar tempo e dinheiro numa outra inútil Comissão Parlamentar cujo resultado todos sabemos de antemão? Por que suas excelências não se atêm ao seu verdadeiro ofício, votar leis, limpar a pauta, fazer as reformas tributária, eleitoral, política e fiscal?

O teatro das CPIs, que já virou circo, nada acrescenta, o que se deveria mesmo fazer seria cobrar as provas e punições do valerioduto, mais especificamente em seu setor mineiro, onde há muita coisa sobre o senador Eduardo Azeredo, o governador Aécio Neves, certas empresas do setor metalúrgico que andaram fazendo generosas doações ‘por fora’ e tantos outros personagens, já exaustivamente mencionados em outros artigos e reportagens. Por favor, senhores parlamentares, apontem nomes, exumem a CPI do Banestado, dêem subsídios à polícia federal para prender não apenas doleiros, e aí sim a sociedade apoiará o vosso, digamos, trabalho, e aceitará outras CPIs.

O autor, Luiz Leitão, é articulista - luizleitao@ebb.com.br

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