Bairros

Moradores do Núcleo Geisel caçam carrapatos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Eles passeiam pela calçada, escalam os muros, se escondem nas frestas e já atacaram animais de estimação. Os carrapatos estão transformando a vida dos moradores da rua José de Anchieta, no Núcleo Geisel num verdadeiro inferno. “Só numa tarde matei mais de duzentos carrapatos”, conta Alfredo Patrício de Barros, comerciante.

Há dois meses a rotina dos moradores tem sido essa: gastar parte do dia caçando e matando o parasita. “Na segunda-feira, encontrei três na minha cortina”, conta a babá Cleusa Maria Guimenes André. Encontrados aos montes no local, o carrapato que está tirando o sossego do Geisel é o Rhipicephalus sanguineus, mais conhecido por carrapato do cachorro.

A praga está se alastrando velozmente pelas casas da rua. Por mais que os moradores apliquem remédio, o inseto volta atacar. “Queremos que alguém indique qual o produto correto para acabar de vez com eles. Procuramos o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), mas eles disseram que tem até 30 dias para vir”, conta. O centro foi procurado pela reportagem na tarde de ontem, mas não retornou fornecendo as informações sobre o caso.

Enquanto o CCZ não aparece, os moradores vão se virando como podem. Cleusa revela que costuma pegar um alfinete para vasculhar os buracos que existem no seu muro. “Vou espetando um por um. Desse jeito, já matei um monte”, diz. Já Barros, utilizou a sua bengala, mesmo. “Pintei o muro com jato de tinta para vedar os buracos e passei remédio na casa, mesmo assim, eles voltam a aparecer”, lamenta.

Marisa Helena Bazzeo está inconformada. Apesar de tomar todos os devidos cuidados, o seu gato foi infestado pelo inseto. “Levamos no veterinário, mas ele teve uma reação ao remédio e quase morreu”, conta. Ela também ligou no CCZ a procura de ajuda.

Apesar do esforço dos moradores, o médico veterinário Oneir Aparecido Caçador Júnior adverte que a única forma de eliminar de vez a infestação é interromper o ciclo de vida do carrapato, que dura 21 dias, com o controle ambiental da casa junto da pulverização de inseticida. “Tem que fazer uma varredura geral, usando remédio correto para interromper o ciclo do inseto”, observa.

Para quem possui animais de estimação, a primeira medida é eliminar todo pano, jornal e papelão que ele utiliza para dormir. “Depois o ambiente deve ser pulverizado, com o acompanhamento de um especialista. E o animal deve ser mantido com coleiras anti-parasita ou com aplicação preventiva de remédios”, recomenda. Nas casas, o carrapato se esconde em locais altos e escuros, principalmente as fêmeas, que procuram esses locais para pôr seus ovos.

Segundo Caçador no Brasil não há registros de nenhuma doença transmitida por esse tipo de carrapato a humanos. “Em algumas pessoas, pode acontecer alguma reação alérgica no local da picada ou febre”, explica.

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