Tribuna do Leitor

Mea culpa de um eleitor


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Estamos sujeitos, mesmo que tardiamente, ao escrutínio de nossa pregressa política. Meu desencanto político vem em boa hora. Quanto mais distantes da máquina fazedora de acúmulos financeiros, quanto mais depauperados ideologicamente, quanto menos propensos à imbecilidade do pendor ao servilismo, mais nos tornamos sacos de pancadas dos bem sucedidos políticos. A causa da estranheza do povo, a inércia, a servidão da massa dócil aos donos do poder, é a falta de indignação diante dos excessos, dos desmandos dos donos do erário público. Não se fazem mais passeatas, desagravos, achincalhes vindos do cidadão indignado. Ele está passivo, calças arriadas, diante do estupro advindo dos poderosos. O poder repetidamente adultera a ideologia dos novos formadores de premissas políticas saneadoras. A pura intenção daqueles que pretendem dizimar os males sociais, a desigualdade entre os homens, sucumbe pela picada da mosca azul do nepotismo e da plutocracia.

Esqueçam Giordano Bruno, Gramsci, dom Pedro Casaldáliga, Francisco Bernardoni, Paulo Freire, Che Guevara, e tantos outros ícones da perfeição filosófica humanística. Todos os propósitos e tratados daqueles homens, os camaleões mandantes, usurpadores e tiranos, fizeram pano de chão da escravidão e servilismo da horda miserável que eles insistem em chamar de povo, e cidadão comum. Revoluções foram feitas diante do clamor civil, em prol de valores comuns e iguais a todos. Os líderes dos despossuídos destronaram ditadores. No poder, entretanto, criaram castas, cúpulas gerenciais, estruturas jurídico-políticas, firmando novas ditaduras, novos representantes do regime anterior. O presidente Lula sabe, mas insiste em fingir não saber, que um séquito seu, de sugadores da teta da mãe moeda nacional, tem como modelos e modus operandi, os lambe-botas da ditadura militar, os que roubaram mas fizeram, os que fizeram cinqüenta anos de obras em cinco, o malufismo, o ademarismo, o escândalo das semi pedras preciosas, o escândalo Luftfalla, a Paulipetro, o Projeto Jari, os que montaram este imenso circo de lonas esfarrapadas chamado Brasil.

A mim, sempre me coube jamais compartilhar da nefasta conjunção com os maniqueístas dos resultados das urnas eleitorais. Queria ter instrumentos letais para levar ao cadafalso de uma honesta inquisição, os ímpios e culpados pela nossa miséria e impotência. Sempre a história se repetirá. Sou mais um idiota contando com som e fúria, a triste sina daqueles que se curvarão aos poderosos, mostrando a bunda aos fracos. Sei lá até quando. Grato pela publicação.

Odair Castilho - RG 5.604.771

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