Cultura

A volta do filho do ‘Síndico’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O primeiro CD do cantor e compositor Leo Maia, “Cavalo de Jorge”, já deixava claro de que o moço tinha soul, rock’n’roll e suíngue brasileiro nas veias - dizer que é herança genética é pouco para um filho de Tim Maia. Além disso, ele tem história, afinal acompanhou seu pai, morto em 1998, desde que tinha sete anos, como roadie da Banda Vitória Régia. Mas será que o cara conseguiria segurar seu som ao vivo? Com uma banda afiadíssima, simpatia, a voz herdada sabe-se de quem e algumas covers estrategicamente sacadas de sua guitarra, ele embalou o Bulevar Bar madrugada adentro, no início de dezembro. A pedidos do público, o músico volta a Bauru amanhã para mais um show na casa noturna.

“Cavalo de Jorge” chegou às lojas no segundo semestre do ano passado, depois de Leo passar 15 anos tocando em barzinhos e bailes, e logrou ao músico o reconhecimento por seu trabalho de composições autorais e seu som originalmente brasileiro. Em entrevista ao JC Cultura no final do ano passado, ele confirmou que esperou a proposta certa para lançar-se no cenário por seus próprios méritos. “Fiz o caminho da honra. Nunca quis entrar pela janela, por isso recusei inúmeras vezes gravadoras que me procuravam com o objetivo de fazer dinheiro às custas de meu sobrenome”, afirmou.

O convite final para uma gravação veio da cantora Luiza Possi, que convocou o músico para registrar uma demo com o produtor Líber Gadelha. As músicas saíram da maneira que Leo quis e nasceu “Cavalo de Jorge”, com 13 composições, sendo nove do músico, e produção de Bernardo Vilhena. A raiz na black music e na MPB deixa-se levar com a bateria marcante, violões e guitarras no lugar certo e um baixo galopante.

As primeiras músicas começaram a ganhar as rádios ainda no ano passado. “História de Amor”, parceria de Leo com o guitarrista Charles Marsillac que entrou na trilha de “Malhação”, acompanha a tradição de grandes baladas de Tim Maia, sem querer comparar mas já fazendo o irresistível. “Fale mais de você/ Seus discos, seus livros/ Do tempo de criança/ Do elo perdido e do primeiro amor”, canta Leo, sem poupar o vozeirão.

Já “Doidão”, composição do músico, é rock e soul de gente grande. “Mas não estou só em ser sozinho/ Mas o que fazer? Coitadinho é de mim que estou sem você/ Ainda lembro bem/ Passos gigantes pra chegar na sua casa/ (...) Leva o som, baby leva o som/ Leva o som que eu fiz pra você”, diz a letra. No disco, outros destaques são a delicada “Flor de Laranjeira”, as dançantes “Soul Funk” e “Ela Dá um Show”, a mistura de “Samba Bem” e as mensagens de “Tenha Fé” e “Dias de Luz”.

No show, os hits prontos de Leo ganham a companhia de outros medalhões, como Lulu Santos, Ed Motta e seu pai. Deste, as versões ganham ares de homenagem com “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”, em interpretações assustadoramente belas. Ao vivo, Leo confirma a herança como “hit maker”, como showman e, principalmente, como um dos melhores nomes do pop nacional atual. Imperdível – pela segunda vez.

• Serviço

Show de Leo Maia, amanhã a partir das 23h, no Bulevar Bar. O bar fica localizado na rua Rio Branco, 22-47. Mais informações: (14) 3227-1241.

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